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June 24 Não existe prova maior de amor e dedicação do que acompanhar sua esposa durante as compras no supermercado. Por isso, no domingo à noite, lá estava eu, fiel escudeiro da Lisa, para juntos finalizarmos as compras mensais de mantimentos para o nosso lar. Hein? Não entende a dificuldade de ir ao supermercado com uma mulher, sir William? É simples, imagine você parado, esperando enquanto é feito o cálculo do que é mais vantajoso: R$ 3,75 por 245ml ou R$ 5,28 por 420ml? E qual das marcas tem a melhor composição química? E qual é o prazo de validade das candidatas? Imagine o tempo gasto nisso e multiplique por dezenas de produtos que estão na lista de compras e mais algumas novidades que os malandros do supermercado sempre colocam estrategicamente pelo caminho! Bom, mas eu me divirto em qualquer ocasião, assim, lembrando que Lisa insiste em usar a alcunha "cara-de-pau" para se referir a minha pessoa em diversas circunstâncias, não pude deixar de dar o troco! - Lisa, venha cá ver, que lançaram uma nova loção hidratante especial para tua pele! Lá vem a Lisa e eu apresento para ela "Peroba do Campo", o lustra-móveis com aroma de sândalo. - Ha ha ha! Ai! Ai! Ha ha ha! Ai Ai! - esse sou eu, rindo e apanhando ao mesmo tempo. Tudo podia terminar bem para mim, mas a curiosidade matou o pato. Eu adoro sândalo e manifestei meu desejo de sentir o aroma do tal Peroba do Campo. Tentei abrir a tampa e nada. Lisa orientou: - Tem que puxar... E eu fui tentar puxar, já com o produto bem perto do meu nariz. Eis então que a tampa se soltou de supetão e uma generosa quantia de Peroba do Campo se espalhou pela minha cara! Não me restou alternativa senão espalhar o produto pelo rosto. Sim, a Lisa ficou com esse mesmo riso de vocês, leitores, estampado na face, mas achou melhor não adicionar nenhum comentário à cena. Não era necessário... Em tempo, a "loção" tem um aroma maravilhoso. June 22 Sinto muitas saudades dos natais da minha infância. Os italianos dão especial importância a essa época e, em especial, a história do nascimento do Menino Jesus. Por isso, era certo que logo no início do mês de dezembro um canto da sala seria reservado para montar o presépio. A estrutura era sempre a mesma. Primeiro, se providenciava uma grande caixa de areia para simular o deserto e nela se colocava o pinheirinho de Natal que, ao contrário de hoje, era de verdade. Lembro das aventuras pelo meio das colonias bentansas para obter os tais pinheirinhos. Até hoje não sei se eram ações totalmente legais ou não, mas eram tratadas com o máximo sigilo e meu tio ficava furioso quando fazíamos algazarra demais nos bancos de trás da Charmosa. Hein, o quê? Ah, sim, Charmosa era a lendária Kombi do meu tio, sempre utilizada para a importante missão de transporte natalino. Então, ao pé da árvore, já totalmente enfeitada, montávamos o presépio. Tinha os reis magos, o camelo, o jumento, as ovelhas, José e Maria, todos contemplando a manjedoura onde ficava a estátua de uma criança dormindo. O tempo passou e a tradição se perdeu. Quer dizer, apenas um ramo de minha família a manteve e, assim, lá em Esteio, casa da Ange e do Dudu, a família combinou de se reunir para comemorar o Natal e o Ano Novo. Resolveram que um Natal não estaria completo sem um presépio e, assim, uma árvore de plástico e uma caixa de areia foram providenciadas. Bruninho, o filho dos donos da casa, resolveu dar sua contribuição para a história do presépio e acrescentou, ao lado do camelo e do jumento, o seu Tiranossauro Rex, que também ficou contemplando o nascimento do Nosso Salvador. Bruninho corrigiu assim uma injustiça histórica, afinal todo mundo sabe só não tinha dinossauro presente no Ano Domini porque não houve espaço para eles na Arca de Noé. Sensibilizado pela história da fuga de Maria, levando o Menino Jesus pelo deserto na garupa de um jumento, Bruninho chegou ao máximo da generosidade, colocando o Relâmpago Mcqueen, seu carrinho vermelho e falante, que ele tanto adora, a disposição do casal em fuga. Era só colocar o Menino Jesus no banco traseiro e disparar em alta velocidade pelo deserto. Pô, como é que o Criador não pensou numa coisa dessas antes? Brincadeiras à parte, os atos de Bruninho revelam um excelente caráter, além da criatividade e inteligência típicas da família. ;-) Contudo, o melhor ainda estava por vir. Ana, Danilo, o pequeno Gabriel e o gato Mingau se deslocaram de Florianópolis até Esteio para encontrar a família e celebrar com eles o Natal. É uma viagem dura. Não é qualquer um que encara seis horas de estrada em pleno feriadão. Eles chegaram no meio da tarde da véspera de Natal, todos meio tortos, se espreguiçando para reativar a circulação. Vejam como tudo na vida é uma questão de ponto-de-vista. Para nós, aquele presépio significava a união da família, a boa tradição mantida e o respeito a Deus. Já o Mingau, liberto após seis horas de estrada, olhou para o presépio e miou: "Oba! Uma Caixa de Areia!". E foi assim que o Menino Jesus veio ao mundo em 2008, ao lado de dinossauros, carros falantes e de um monte de areia parecido com o Everest. June 05 Quando cai de cama por causa de um gripe, acabei relendo "Quanta Saudade, Snoopy", uma coletânea de tirinhas em formato de livrinho de bolso. Durante os acessos de febre, lembrei também que havia um desenho dos Peanuts e que era algo famoso. Nós sempre falamos do Twitter, do Orkut e das maravilhas recentes da Web 2.0, mas acabamos nos esquecendo da principal e mais útil delas: o Youtube! Propagandas antigas, desenhos, videoclipes, videocassetadas, enfim, tudo está disponível hoje no Youtube. Este sim, um serviço útil e de primeira linha. Eu não perdi tempo e fui caçar Peanuts no Youtube. Sim, têm desenhos lá e descobri porque eu nunca havia assistido antes: o dublador que faz a voz de Charlie Brown é o mesmo que dubla o Chavez, ou seja, era um desenho que devia passar no SBT, canal que eu nunca assisti. Bom, peanut é o apelido de Charlie Brown, muito bem traduzido para minduim, um garoto introvertido que tem apenas alguns fiapos de cabelo na cabeça (epa!) e que tem uma série de amiguinhos. Por exemplo, a Lucy, uma garota valente e irritada, que mete medo nos meninos ameaçando espancá-los (epa, epa!). Tem também o Chiqueirinho, o amiguinho que não gosta de tomar banho e vive coberto de poeira e... Epa, Epa, Epa! Eu acho que já vi essa gente noutro lugar... Brincadeiras a parte, a turma do Minduim é incomparável. Seu criador, o cartunista Charles Schultz, passou quarenta anos desenhando somente essas crianças e seus animais. Jamais, em suas tiras espalhadas pelo mundo afora, um adulto foi desenhado. Não era necessário. O desenho que tenho para recomendar para vocês é "O Primeiro Beijo de Charlie Brown". É fabuloso. O minduim e seu inseparável amigo Linus estão em cima de um carro alegórico, durante a parada da escola. Nisso, Charlie Brown percebe que a garotinha ruiva dos seus sonhos está lá adiante, no carro principal. Linus então começa a lhe dar as notícias: ela é a rainha, vai haver um baile à noite e ele, Charlie Brown, deverá dançar uma valsa e dar um beijo na rainha da escola. O estômago de minduim embrulha e ele desmaia e caí do carro. Com Charlie Brown é assim: as coisas simplesmente vão ocorrendo ao seu redor e ocasionalmente ele é informado disso. Antes do baile, porém, tem uma partida de futebol americano, e Charlie é o cara que chuta a bola. A partida serve para muitas piadas e para criar um clima de tensão, pois a Rainha está assistindo ao jogo e Charlie quer impressioná-la. Porém, a única certeza que existe no mundo é essa: Lucy, a amiga valentona, sempre vai tirar a bola antes de Charlie Brown chutar e ele sempre será culpado pelo fracasso da tentativa. A conclusão da história é muito, muito, muito boa! É como voar no paraíso, com os pés descalços, claro! É o tipo de desenho que eu quero que meus filhos assistam quando chegar a hora. Não percam! Está disponível no Youtube! May 30 Você acha que é isso é uma prece (uma oração)? Angel - put sad wings around me now Protect me from this world of sin So that we can rise again Judas Priest é uma banda com mais de trinta anos de bons serviços prestados ao Metal. Junto com Iron Maiden, é um dos nomes mais expressivos do heavy britânico. No entanto, a música que escolhi é recente, Angel, do álbum Angel of Retribution, lançado em 2004. Essa dica vai surpreender quem resolver escutá-la porque... Não é heavy metal! No máximo, lá pela parte final, as coisas esquentam um pouco. Todo o restante, fica por conta da maravilhosa letra, interpretada pelo compositor e vocalista Rob Halford. Oh angel - we can find our way somehow Escaping from the world we're in To a place where we began O álbum Angel of Retribuition foi lançado para marcar a volta de Rob Halford ao Judas, após dez anos de afastamento. Algo curioso em relação a esta banda é que foi Rob Halford que teve a idéia, nos primórdios do heavy metal, de começar a se vestir com roupas de couro. A idéia de copiar o visual dos motoqueiros foi dele e, logo, além da roupa de couro, ele imaginou tachinhas de metal e correntes em volta do corpo. Pronto, estava criado o figurino clássico dos metaleiros. And I know we'll find A better place and peace of mind Just tell me that it's all you want - for you and me Angel won't you set me free Alias, Rob Halford declarou recentemente que pretende lançar uma grife de roupas. Vai dar certo claro, pois ele é o tipo de pessoa que todos adoram, outras bandas já gravaram até álbuns inteiros em homenagem a ele, por sua bravura e pela coragem de ser ele mesmo, não fazendo apenas declarações para agradar seus fãs. Angel remember how we'd chase the sun Then reaching for the stars at night As our lives had just begun When I close my eyes I hear your velvet wings and cry I'm waiting here with open arms - oh can't you see Angel shine your light on me Sim, bravura e coragem. Em 1998, Rob Halford, um dos fundadores do heavy metal, esse estilo de machões, durões e empedernidos de todo o tipo, assumiu ser homossexual. Pausa para que alguns digam: "mas claro! Roupas (e cuecas) de couro!". Ora bolas, eu dei as pistas para vocês, se não descobriram antes, foi porque não estavam prestando atenção! O que aconteceu com Rob depois disso? Nada, foi apenas ainda mais respeitado e idolatrado por seus fãs. Claro que existem retardados, até mesmo entre metaleiros, mas a esmagadora maioria soube respeitar o vocalista e Angel of Retribution foi um grande sucesso. Agora, que tal descobrir a quantas anda o seu preconceito? Agora que você já sabe qual a orientação sexual do vocalista, experimente ler de novo as partes da letra de Angel que eu postei aqui e responda para si mesmo: continua parecendo uma prece? Angel, de Judas Priest, a segunda música obrigatória no caminho para o inferno. May 19 E joga a bunda pro alto, e joga a bunda pro alto, e coloca a mão no chão. E joga a bunda pro alto, e joga a bunda pro alto... Esses versos infernais andam pela minha cabeça nas últimas semanas, mais precisamente desde que voltei a frequentar a academia de ginástica. Acontece que, para desespero meu e também de boa parte dos colegas malhadores, não existe divisão entre a sala de ginástica e o local aonde estão os aparelhos de musculação. Por volta das sete horas, quando estamos trabalhando os músculos, começa a aula de Funk Aeróbico. Sim, isso mesmo! Existe algo chamado Funk Aeróbico! Não me digam que vocês não reconheceram de imediato pela letra da música? A aula ocorre três vezes por semana e cada sessão dura uma hora. Temos que ficar escutando pérolas da canção popular brasileira, tais como: "Blá, blá, blá... Chupa que é de uva, chupa que é de uva; Por que é que você não tenta? Chupa que é de menta, chupa que é de menta..." O nível é dessa daí para baixo... No entanto, o pior de tudo é que a aula é um sucesso. Pelo visto, os exercícios funkeiros dão um excelente resultado e a região da academia onde ocorre a aula dançante logo se enche com pelo menos vinte garotas e um professor. Os exercícios acompanham a letra, então "joga a bunda pro alto e coloca a mão no chão" corresponde a um exercício interessante para fortalecer os glúteos e as garotas fazem exatamente o que a letra manda. Imaginem a cena. "Joga a bunda pro alto, joga a bunda pro alto...", e vinte garotas bem torneadas pelos exercícios, todas com seus trajes de malha colados ao corpo, encostam as mãos no chão e jogam seus respectivos traseiros para as alturas. E quem está lá no alto? Quem mais poderia ser a criatura que foi colocada para correr que nem um hamster no elíptico? Sim, o elíptico, aquele enorme aparelho que fica justamente há um metro da região das aulas. O hamster sou eu, claro... Quais eram as chances de uma coisa dessas acontecer comigo quando eu era solteiro? Zero! Nenhuma! Murphy é implacável. A academia que eu frequentava em Bento Gonçalves tinha seus aparelhos elípticos bem defronte a ala de fisioterapia geriátrica, que era o lugar onde simpáticos velhinhos e velhinhas desenferrujavam os músculos com o auxílio dos treinadores. Hoje em dia, enfrento uma situação complicada. O que fazer? Ficar acompanhando a aula descaradamente me parece extremamente errado, a aliança na minha mão esquerda começa a ferver e eu sinto medo de virar uma estátua de sal ou algo assim. No entanto, e se eu desviar o olhar e algum dos fortões perceber que eu não estou olhando a aula? Nesse caso, ficarei com a maior fama de veado! O que fazer? O que fazer? Decidi que o mais certo era aumentar o nível de esforço no elíptico, colocar no máximo a intensidade do exercício e deixar que o suor e minha cara concentrada, de olhos fechados, demonstrassem que eu estava lá interessado em perder peso. Fiz isso. Coloquei o dial no máximo, mandei ver nas pedaladas e ignorei o funk e as bundas arremessadas em minha direção. Quebrei o elíptico. Eu aguentei o esforço no nível alto, mas o aparelho não. Felizmente, ninguém notou o estrondo do pedal despencando no chão, junto com a barra de ferro de sustentação e tudo o mais. Também, quem notaria alguma coisa com aquele som infernal fazendo o cérebro derreter? Dei por encerrado meus exercícios do dia e saí da academia, discretamente e de modo acelerado. Preciso arranjar um MP3...
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