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7月30日

System failure nos sebos

Durante os primeiros duzentos e dez dias deste ano, meu pés estavam totalmente em forma. Hoje, justamente no dia em que um deles decidiu se abrir em virtude do frio, eu resolvi fazer uma peregrinação pelo centro em busca do livro perdido.
Na verdade, não é um livro perdido, é apenas um livro que eu quero ler antes que a adaptação chegue ao cinema. O preço nas livrarias subiu drasticamente, já antecipando o sucesso do filme, então, lá fui eu percorrer, mancando, alguns sebos da ilha-que-me-odeia.
No primeiro sebo, nem computador tinha de tão pequeno que era. "Sem chances" - pensei eu - e meu palpite se confirmou.
No segundo sebo, um computador!
"Oba! Não perderei tempo tentando achar o livro nessas prateleiras enormes!"
Fui logo pedir para a moça se tinha o tal livro. Ela me disse que eu deveria ir procurar na prateleira tal da seção tal...
Meu queixo caiu. Olhei esperançoso para a tela do computador, tentando insinuar que havia um meio mais rápido de ver se o livro estava no sebo, mas minha indireta foi em vão porque eles não tem os livros cadastrados no computador.
(em certas ocasiões, eu entendo perfeitamente como a Alice se sentia andando por um lugar absolutamente non-sense)
No sebo seguinte, recebi um "desculpe moço, mas o sistema está fora do ar". Fiquei até com medo que o livreiro me reconhecesse como Analista de Suporte e pedisse ajuda para consertar o sistema, então corri para olhar nas prateleiras onde ele disse que os livros estavam indexados por ordem do primeiro nome do autor. Fui olhar direto na letra D, de Dennis Lehane, e encontrei vários livros conhecidos: Cipreste Triste, Morte no Funeral, Um Brinde de Cianureto... Nem perguntei o que Agatha Christie estava fazendo na letra D, pois era uma questão de segundos antes dele me reconhecer como "o cara que mexe com computadores". Sai do local quase correndo e me dirigi ao último sebo da jornada.
Naquela altura, eu já havia desenvolvido um método de busca. Primeiro tentei procurar na prateleira de literatura internacional. A letra L, de Lehanne, deveria estar na prateleira 16... Achei as prateleiras 15 e 17 e percebi que, além de não achar o livro que eu queria, ainda por cima eu tinha perdido uma prateleira inteira. Resignado, fui consultar o vendedor que estava na frente de um computador moderno, com tela de LCD e tudo. "Oba, agora vai!".
""Boa tarde, eu gostaria de saber se vocês tem um livro, o senhor pode consultar para mim?"
"Claro, qual o nome?"
"Paciente 67, de..."
"Não tem."
Sim, ele disse isso SEM usar o computador para pesquisar!
Agradeci a informação e vim mancando para casa, pensando nas mil e uma possibilidades de um bom sistema para sebos. "Preferências do leitor com e-mail alert assim que chegar uma obra de um autor ou de um estilo que o cliente já comprou antes", "lista de desejáveis, com preço combinado de antemão, caso o livreiro consiga a raridade...", enfim, são tantas possibilidades para se ganhar dinheiro usando o computador como ferramenta e não apenas como decoração!

7月17日

Epic Fail no Splash Screen

Os desenvolvedores de sistema costumam ser assim, cheios de gracinhas. Lembro de um sujeito que certa vez escutou uma reclamação do dono da empresa: "esse sistema abre depressa demais, está faltando aquela telinha que nem o Office tem para que o usuário final pense que o sistema é mais complexo!"

(sim, antes de continuar, esclareço que o dono da empresa também se recusava a colocar preços nos produtos como R$ 2.000,00 ou parecidos. Tinha que ser R$ 2.134,80 ou por aí, "para dar a impressão de que houve um cálculo complexo para se chegar a este valor...")

Resultado, o desenvolvedor criou o splash screen para o sistema, atendendo de má vontade ao pedido do patrão. Nesse splash apareciam rapidamente varias frases, teoricamente indicando quais módulos do sistema estava sendo carregado e tal.

Tudo mentira. Quando o dono da empresa quis se gabar para um cliente de que o sistema funcionava até mesmo em computadores bem antigos, foi se inventar de demonstrar isso instalando o produto em um computador PC 133 do tipo "Jesus está me chamando".

O splash screen das frases rapidíssimas rodou devagar, devagarinho, e então deu para ler claramente as frases que nas máquinas normais apareciam em menos de 2 segundos:

"Carregando azeite.dll"

"Adicionando sal_de_cozinha.ocx"

"Acionando protocolo caseiro de combustão"

"Acrescentando milho.dll"

"Fazendo pipoca.exe"

Epílogo: chefe invade a sala de desenvolvimento e se dirige para a mesa do programador. Todos param seus afazeres e olham a cena. Ele começa dizendo: "Tu sabia que só se coloca sal na pipoca depois de pronta?".

Não sei o que ocorreu a seguir, pois naquela hora todos os demais sentimos uma vontade súbita de sair para tomarmos um cafezinho.

7月9日

O Enigma do Chaveiro Cronos

Relatório de Samael Darcangelo, detetive da S.P.Y. - Sentral Paraguaya de Ynteligência

Florianópolis - 09/07/2009 - 17:45

Assunto: O Enigma do Chaveiro Cronos

Querido diário...

Não sei porque resolvi começar um relatório dessa maneira, mas já que com a agente Margarida sempre deu certo, aqui vou eu.

Jamais passarei num concurso público. São vãs as velas que a agente Strix queima para que isto aconteça e só não admito publicamente a conclusão a que cheguei porque não quero decepcionar aqueles que torcem por mim. Cheguei a essa fatídica conclusão após analisar minha participação no caso do chaveiro Cronos.

Tudo começou quando eu recebi a missão de fazer uma cópia de um controle eletrônico. A tarefa parecia por demais simples, mas aqui em Florianópolis a simplicidade é a mais traiçoeira das falsas aparências. Sai da base e me dirigi ao chaveiro mais próximo, onde, para minha decepção, fui informado que o especialista só começava a trabalhar a partir das 09:45. Para os padrões dos ilhéus locais, isso ainda é de madrugada. Fiquei esperando por mais de uma hora pelo chaveiro e, como o infeliz não aparecia de jeito nenhum, um outro funcionário do local me passou a dica de procurar outro especialista, que atendia "logo ali, dobrando a esquina...".

"Logo ali" é uma armadilha traiçoeira, pois a percepção de espaço das pessoas pode ser muito variável. No caso, após dobrar a tal esquina, descobri que o chaveiro indicado ficava a mais de duas quadras de distância. Foi assim que comecei a me afastar da base e o caso começou a complicar. Para piorar, o novo chaveiro também não era capaz de clonar controles eletrônicos e me indicou o único lugar do centro da cidade aonde eu poderia conseguir meu objetivo: "Tem que ir na Cronos, fica na Conselheiro Mafra, esquina com a Álvaro de Carvalho, passando a loja da Colombo...".

Esse lugar fica há oito quadras distante de onde eu estava! No entanto, feliz por finalmente ver que o caso tinha solução, ajeitei a lapela do meu capote imaginário e parti com um mote na cabeça: "encontrar o chaveiro Cronos, encontrar o chaveiro Cronos, encontrar o chaveiro Cronos...".

Oito quadras e dezenas de repetições depois, lá estava eu passando pela Colombo e chegando na esquina citada. O Conselheiro estava lá, o Álvaro também, mas nada do chaveiro. Olhei em volta, analisando todas as placas das lojas e nada. Tomei como ponto de referência a maior loja da esquina, uma tal de Khronos Inovações Tecnológicas, e, a partir dela, resolvi circular pelas ruas, perguntando por um chaveiro.

Um camarada me disse conhecer um chaveiro duas quadras acima. Não servia, pois não podia ser o Cronos, afinal, já era em outra rua. Felizmente, uma senhora que vendia paçocas na esquina tinha uma dica mais quente: "sim, tem um chaveiro ali na rua de baixo". Fui quase correndo para a tal rua de baixo e lá estava o chaveiro. Não, não era o Cronos, mas sim um certo Augustinho Monteiro, chaveiro 24 horas, segundo seu cartão de visitas.

Augustinho me disse que podia conseguir a cópia do controle eletrônico, mas que demoraria meia-hora para fazer o serviço, que me custaria sessenta patacas.

Sessenta patacas! Aí surgiu um novo problema. Quando recebi a missão, fui informado que o serviço custava em média 20 patacas e a Sentral é muito exigente no controle de gastos. Além do mais, minha longa experiência com  leitura de livros policiais me dizia que Augustinho não era um sujeito muito confiável. Resolvi voltar duas quadras e meia e ir para o segundo chaveiro indicado.

Chegando lá, já exausto de tanto caminhar pelo centro da cidade, uma bela jovem me deu a informação decepcionante de sempre: "Não, não fazemos cópia desse tipo de controle eletrônico. Mas você pode conseguir isso lá na Cronos..."

Foi aí que eu gritei: "Ahhhhhhhhhhh!" - e assustei a garota. Acontece que naquele momento mágico, fez-se a luz na minha cabeça e eu percebi algo interessante na gramática portuguesa: C = K, sendo que o H é mudo na nossa língua. Ou seja, Cronos = Khronos!

Apostei todas as fichas na minha dedução brilhante, voltei para a esquina do Conselheiro com o Álvaro e lá estava, no mesmo lugar de antes, a grande loja da Khronos Inovações Tecnológicas. Entrei e saí de lá em menos de dez minutos, trazendo comigo uma cópia do controle, obtida por apenas vinte patacas.

Podemos deduzir que o chaveiro Augustinho, se incumbido do serviço, também pretendia usar a meia hora de prazo que pediu justamente para visitar a Khronos.

No entanto, o vilão se deu mal, pois não levou em conta a astúcia deste detetive da S.P.Y.! Cumpri minha missão gastando apenas 20 patacas (e muita sola de sapato). Porém, não sei porque, mas após este caso, fiquei com a sensação de que jamais passarei num concurso público!

Assinado;

assinatura

6月24日

Peroba do Campo

Não existe prova maior de amor e dedicação do que acompanhar sua esposa durante as compras no supermercado. Por isso, no domingo à noite, lá estava eu, fiel escudeiro da Lisa, para juntos finalizarmos as compras mensais de mantimentos para o nosso lar.

Hein? Não entende a dificuldade de ir ao supermercado com uma mulher, sir William? É simples, imagine você parado, esperando enquanto é feito o cálculo do que é mais vantajoso: R$ 3,75 por 245ml ou R$ 5,28 por 420ml? E qual das marcas tem a melhor composição química? E qual é o prazo de validade das candidatas?

Imagine o tempo gasto nisso e multiplique por dezenas de produtos que estão na lista de compras e mais algumas novidades que os malandros do supermercado sempre colocam estrategicamente pelo caminho!

Bom, mas eu me divirto em qualquer ocasião, assim, lembrando que Lisa insiste em usar a alcunha "cara-de-pau" para se referir a minha pessoa em diversas circunstâncias, não pude deixar de dar o troco!

- Lisa, venha cá ver, que lançaram uma nova loção hidratante especial para tua pele!

Lá vem a Lisa e eu apresento para ela "Peroba do Campo", o lustra-móveis com aroma de sândalo.

- Ha ha ha! Ai! Ai! Ha ha ha! Ai Ai! - esse sou eu, rindo e apanhando ao mesmo tempo.

Tudo podia terminar bem para mim, mas a curiosidade matou o pato. Eu adoro sândalo e manifestei meu desejo de sentir o aroma do tal Peroba do Campo. Tentei abrir a tampa e nada. Lisa orientou:

- Tem que puxar...

E eu fui tentar puxar, já com o produto bem perto do meu nariz. Eis então que a tampa se soltou de supetão e uma generosa quantia de Peroba do Campo se espalhou pela minha cara! Não me restou alternativa senão espalhar o produto pelo rosto.

Sim, a Lisa ficou com esse mesmo riso de vocês, leitores, estampado na face, mas achou melhor não adicionar nenhum comentário à cena. Não era necessário...

Em tempo, a "loção" tem um aroma maravilhoso.

6月22日

A Contribuição do Mingau

Sinto muitas saudades dos natais da minha infância. Os italianos dão especial importância a essa época e, em especial, a história do nascimento do Menino Jesus. Por isso, era certo que logo no início do mês de dezembro um canto da sala seria reservado para montar o presépio.
A estrutura era sempre a mesma. Primeiro, se providenciava uma grande caixa de areia para simular o deserto e nela se colocava o pinheirinho de Natal que, ao contrário de hoje, era de verdade. Lembro das aventuras pelo meio das colonias bentansas para obter os tais pinheirinhos. Até hoje não sei se eram ações totalmente legais ou não, mas eram tratadas com o máximo sigilo e meu tio ficava furioso quando fazíamos algazarra demais nos bancos de trás da Charmosa.
Hein, o quê? Ah, sim, Charmosa era a lendária Kombi do meu tio, sempre utilizada para a importante missão de transporte natalino.
Então, ao pé da árvore, já totalmente enfeitada, montávamos o presépio. Tinha os reis magos, o camelo, o jumento, as ovelhas, José e Maria, todos contemplando a manjedoura onde ficava a estátua de uma criança dormindo.
O tempo passou e a tradição se perdeu. Quer dizer, apenas um ramo de minha família a manteve e, assim, lá em Esteio, casa da Ange e do Dudu, a família combinou de  se reunir para comemorar o Natal e o Ano Novo. Resolveram que um Natal não estaria completo sem um presépio e, assim, uma árvore de plástico e uma caixa de areia foram providenciadas.
Bruninho, o filho dos donos da casa, resolveu dar sua contribuição para a história do presépio e acrescentou, ao lado do camelo e do jumento, o seu Tiranossauro Rex, que também ficou contemplando o nascimento do Nosso Salvador. Bruninho corrigiu assim uma injustiça histórica, afinal todo mundo sabe só não tinha dinossauro presente no Ano Domini porque não houve espaço para eles na Arca de Noé.
Sensibilizado pela história da fuga de Maria, levando o Menino Jesus pelo deserto na garupa de um jumento, Bruninho chegou ao máximo da generosidade, colocando o Relâmpago Mcqueen, seu carrinho vermelho e falante, que ele tanto adora, a disposição do casal em fuga. Era só colocar o Menino Jesus no banco traseiro e disparar em alta velocidade pelo deserto. Pô, como é que o Criador não pensou numa coisa dessas antes?
Brincadeiras à parte, os atos de Bruninho revelam um excelente caráter, além da criatividade e inteligência típicas da família. ;-)
Contudo, o melhor ainda estava por vir. Ana, Danilo, o pequeno Gabriel e o gato Mingau se deslocaram de Florianópolis até Esteio para encontrar a família e celebrar com eles o Natal. É uma viagem dura. Não é qualquer um que encara seis horas de estrada em pleno feriadão. Eles chegaram no meio da tarde da véspera de Natal, todos meio tortos, se espreguiçando para reativar a circulação.
Vejam como tudo na vida é uma questão de ponto-de-vista. Para nós, aquele presépio significava a união da família, a boa tradição mantida e o respeito a Deus. Já  o Mingau, liberto após seis horas de estrada, olhou para o presépio e miou: "Oba! Uma Caixa de Areia!".
E foi assim que o Menino Jesus veio ao mundo em 2008, ao lado de dinossauros, carros falantes e de um monte de areia parecido com o Everest.

6月5日

O primeiro beijo de Charlie Brown

Quando cai de cama por causa de um gripe, acabei relendo "Quanta Saudade, Snoopy", uma coletânea de tirinhas em formato de livrinho de bolso. Durante os acessos de febre, lembrei também que havia um desenho dos Peanuts e que era algo famoso.

Nós sempre falamos do Twitter, do Orkut e das maravilhas recentes da Web 2.0, mas acabamos nos esquecendo da principal e mais útil delas: o Youtube! Propagandas antigas, desenhos, videoclipes, videocassetadas, enfim, tudo está disponível hoje no Youtube. Este sim, um serviço útil e de primeira linha.

Eu não perdi tempo e fui caçar Peanuts no Youtube. Sim, têm desenhos lá e descobri porque eu nunca havia assistido antes: o dublador que faz a voz de Charlie Brown é o mesmo que dubla o Chavez, ou seja, era um desenho que devia passar no SBT, canal que eu nunca assisti.

Bom, peanut é o apelido de Charlie Brown, muito bem traduzido para minduim, um garoto introvertido que tem apenas alguns fiapos de cabelo na cabeça (epa!) e que tem uma série de amiguinhos. Por exemplo, a Lucy, uma garota valente e irritada, que mete medo nos meninos ameaçando espancá-los (epa, epa!). Tem também o Chiqueirinho, o amiguinho que não gosta de tomar banho e vive coberto de poeira e... Epa, Epa, Epa! Eu acho que já vi essa gente noutro lugar...

Brincadeiras a parte, a turma do Minduim é incomparável. Seu criador, o cartunista Charles Schultz, passou quarenta anos desenhando somente essas crianças e seus animais. Jamais, em suas tiras espalhadas pelo mundo afora, um adulto foi desenhado. Não era necessário.

O desenho que tenho para recomendar para vocês é "O Primeiro Beijo de Charlie Brown". É fabuloso. O minduim e seu inseparável amigo Linus estão em cima de um carro alegórico, durante a parada da escola. Nisso, Charlie Brown percebe que a garotinha ruiva dos seus sonhos está lá adiante, no carro principal. Linus então começa a lhe dar as notícias: ela é a rainha, vai haver um baile à noite e ele, Charlie Brown, deverá dançar uma valsa e dar um beijo na rainha da escola. O estômago de minduim embrulha e ele desmaia e caí do carro.

Com Charlie Brown é assim: as coisas simplesmente vão ocorrendo ao seu redor e ocasionalmente ele é informado disso. Antes do baile, porém, tem uma partida de futebol americano, e Charlie é o cara que chuta a bola. A partida serve para muitas piadas e para criar um clima de tensão, pois a Rainha está assistindo ao jogo e Charlie quer impressioná-la. Porém, a única certeza que existe no mundo é essa: Lucy, a amiga valentona, sempre vai tirar a bola antes de Charlie Brown chutar e ele sempre será culpado pelo fracasso da tentativa.

A conclusão da história é muito, muito, muito boa! É como voar no paraíso, com os pés descalços, claro! É o tipo de desenho que eu quero que meus filhos assistam quando chegar a hora. Não percam! Está disponível no Youtube!

5月30日

Cinco Músicas para ouvir antes de ir para o Inferno - II

Você acha que é isso é uma prece (uma oração)?

Angel - put sad wings around me now
Protect me from this world of sin
So that we can rise again

Judas Priest é uma banda com mais de trinta anos de bons serviços prestados ao Metal. Junto com  Iron Maiden, é um dos nomes mais expressivos do heavy britânico. No entanto, a música que escolhi é recente, Angel, do álbum Angel of Retribution, lançado em 2004. Essa dica vai surpreender quem resolver escutá-la porque... Não é heavy metal! No máximo, lá pela parte final, as coisas esquentam um pouco. Todo o restante, fica por conta da maravilhosa letra, interpretada pelo compositor e vocalista Rob Halford.

Oh angel - we can find our way somehow
Escaping from the world we're in
To a place where we began

O álbum Angel of Retribuition foi lançado para marcar a volta de Rob Halford ao Judas, após dez anos de afastamento. Algo curioso em relação a esta banda é que foi Rob Halford que teve a idéia, nos primórdios do heavy metal, de começar a se vestir com roupas de couro. A idéia de copiar o visual dos motoqueiros foi dele e, logo, além da roupa de couro, ele imaginou tachinhas de metal e correntes em volta do corpo. Pronto, estava criado o figurino clássico dos metaleiros.

And I know we'll find
A better place and peace of mind
Just tell me that it's all you want - for you and me
Angel won't you set me free

Alias, Rob Halford declarou recentemente que pretende lançar uma grife de roupas. Vai dar certo claro, pois ele é o tipo de pessoa que todos adoram, outras bandas já gravaram até álbuns inteiros em homenagem a ele, por sua bravura e pela coragem de ser ele mesmo, não fazendo apenas declarações para agradar seus fãs.

Angel remember how we'd chase the sun
Then reaching for the stars at night
As our lives had just begun

When I close my eyes I hear your velvet wings and cry
I'm waiting here with open arms - oh can't you see
Angel shine your light on me

Sim, bravura e coragem. Em 1998, Rob Halford, um dos fundadores do heavy metal, esse estilo de machões, durões e empedernidos de todo o tipo, assumiu ser homossexual.

Pausa para que alguns digam: "mas claro! Roupas (e cuecas) de couro!".

Ora bolas, eu dei as pistas para vocês, se não descobriram antes, foi porque não estavam prestando atenção!

O que aconteceu com Rob depois disso? Nada, foi apenas ainda mais respeitado e idolatrado por seus fãs. Claro que existem retardados, até mesmo entre metaleiros, mas a esmagadora maioria soube respeitar o vocalista e Angel of Retribution foi um grande sucesso.

Agora, que tal descobrir a quantas anda o seu preconceito? Agora que você já sabe qual a orientação sexual do vocalista, experimente ler de novo as partes da letra de Angel que eu postei aqui e responda para si mesmo: continua parecendo uma prece?

Angel, de Judas Priest, a segunda música obrigatória no caminho para o inferno.

5月19日

E joga a bunda pro alto…

E joga a bunda pro alto,
e joga a bunda pro alto,
e coloca a mão no chão.
E joga a bunda pro alto,
e joga a bunda pro alto...

Esses versos infernais andam pela minha cabeça nas últimas semanas, mais precisamente desde que voltei a frequentar a academia de ginástica. Acontece que, para desespero meu e também de boa parte dos colegas malhadores, não existe divisão entre a sala de ginástica e o local aonde estão os aparelhos de musculação. Por volta das sete horas, quando estamos trabalhando os músculos, começa a aula de Funk Aeróbico.

Sim, isso mesmo! Existe algo chamado Funk Aeróbico! Não me digam que vocês não reconheceram de imediato pela letra da música?

A aula ocorre três vezes por semana e cada sessão dura uma hora. Temos que ficar escutando pérolas da canção popular brasileira, tais como:

"Blá, blá, blá...
Chupa que é de uva, chupa que é de uva;
Por que é que você não tenta?
Chupa que é de menta, chupa que é de menta..."

O nível é dessa daí para baixo... No entanto, o pior de tudo  é que a aula é um sucesso. Pelo visto, os exercícios funkeiros dão um excelente resultado e a região da academia onde ocorre a aula dançante logo se enche com pelo menos vinte garotas e um professor. Os exercícios acompanham a letra, então "joga a bunda pro alto e coloca a mão no chão" corresponde a um exercício interessante para fortalecer os glúteos e as garotas fazem exatamente o que a letra manda.

Imaginem a cena. "Joga a bunda pro alto, joga a bunda pro alto...", e vinte garotas bem torneadas pelos exercícios, todas com seus trajes de malha colados ao corpo, encostam as mãos no chão e jogam seus respectivos traseiros para as alturas. E quem está lá no alto? Quem mais poderia ser a criatura que foi colocada para correr que nem um hamster no elíptico? Sim, o elíptico, aquele enorme aparelho que fica justamente há um metro da região das aulas.

O hamster sou eu, claro...

Quais eram as chances de uma coisa dessas acontecer comigo quando eu era solteiro? Zero! Nenhuma! Murphy é implacável. A academia que eu frequentava em Bento Gonçalves tinha seus aparelhos elípticos bem defronte a ala de fisioterapia geriátrica, que era o lugar onde simpáticos velhinhos e velhinhas desenferrujavam os músculos com o auxílio dos treinadores.

Hoje em dia, enfrento uma situação complicada. O que fazer? Ficar acompanhando a aula descaradamente me parece extremamente errado, a aliança na minha mão esquerda começa a ferver e eu sinto medo de virar uma estátua de sal ou algo assim. No entanto, e se eu desviar o olhar e algum dos fortões perceber que eu não estou olhando a aula? Nesse caso, ficarei com a maior fama de veado! O que fazer? O que fazer?

Decidi que o mais certo era aumentar o nível de esforço no elíptico, colocar no máximo a intensidade do exercício e deixar que o suor e minha cara concentrada, de olhos fechados, demonstrassem que eu estava lá interessado em perder peso. Fiz isso. Coloquei o dial no máximo, mandei ver nas pedaladas e ignorei o funk e as bundas arremessadas em minha direção.

Quebrei o elíptico.

Eu aguentei o esforço no nível alto, mas o aparelho não. Felizmente, ninguém notou o estrondo do pedal despencando no chão, junto com a barra de ferro de sustentação e tudo o mais. Também, quem notaria alguma coisa com aquele som infernal fazendo o cérebro derreter?

Dei por encerrado meus exercícios do dia e saí da academia, discretamente e de modo acelerado.

Preciso arranjar um MP3...


5月16日

Cinco Músicas para ouvir antes de ir para o Inferno - I

Imitar o estilo de bandas consagradas é algo muito comum no mundo do rock. Por exemplo, o Metallica, logo no início de carreira, buscava tocar e cantar igual aos seus heróis do Diamond Head. Quem aqui não conhece algum outro exemplo assim? Um grupo de jovens se reúne para formar a sua banda e acha o som de seus ídolos tão perfeito que simplesmente quer fazer igual.

Este é o caso da banda alemã Accept. Quem escutar seus primeiros discos da década de oitenta logo vai perceber o mesmo tipo de som e um vocal praticamente idêntico ao da lendária banda AC/DC. Ouvidos não acostumados, como os da Lisa, chegaram a bolar as trocas*: "Ué, isso não é AC/DC?".

Não, não é, muito embora a intenção tenha sido soar o mais parecido com AC/DC possível, os alemães não hesitaram em inovar.

A música que indico para vocês, Metal Heart,do álbum homônimo do Accept, lançado em 1985, é um exemplo clássico dessa inovação. A música é interessante, a letra apocalíptica é típica daquela época, até aí tudo normal. O diferencial que me faz solicitar que vocês a escutem essa pérola está na parte dos solos de guitarra. Wolf Hoffmann, um ex-guitarrista fabuloso, resolveu que não era preciso inventar um solo arrasador de guitarra para o meio desta canção, ao invés disso, ele optou por colocar algo pronto que já havia sido composto antes por outro alemão.

Foi assim, meus amigos, que Fur Elise foi parar no meio de uma música de heavy metal. Beethoven, minha gente, Beethoven! Os doidos adaptaram uma das mais famosas composições da música clássica para dentro de uma música de heavy metal e o resultado não deixa dúvidas: se Mozart, Beethoven, Tchaikovsky e companhia vivessem em nossa época, seriam todos cabeludos, vestiriam jaquetões de couro e andariam por aí de Harley Davinson.

Confiram. Quem gostar da criatividade de Wolf Hoffmann pode conseguir também o álbum solo dele chamado Classical, de 2000, onde ele adapta para a guitarra nada menos do que dez músicas clássicas de diferentes autores. Novamente em um rasgo de genialidade, ele fez uma nova versão de Fur Elise, dessa vez intitulada Blues to Elise. Sim, Beethoven em ritmo de Blues! A especialista em música de encruzilhada, Luciana Bertini, não disse, mas deve ter pensado o seguinte ao escutar essa música: "Esse cara só pode ter um tem um mojo escondido dentro da guitarra!"

Metal Heart, a primeira música para escutar na estrada para o inferno.

* - bolar as trocas é uma piadinha patenteada pela Strix, usada sob licença para este texto.

5月6日

O pão de arroz ou A formação de um novo eixo gravitacional no planeta

Lá estávamos nós, praticando nosso esporte predileto, a caminhada pelo supermercado. O único ponto de divergência em nossa prática esportiva é que eu gostaria que ela fosse uma corrida de cem metros, já minha com sorte prefere que sejam dez mil metros com obstáculos. No entanto, ambos concordamos que certos produtos são feitos justamente para nos atrair como moscas para uma teia, ou seja, são simplesmente irresistíveis para gente muito curiosa.

Nessa última visita ao BIG, por exemplo, nos deparamos com a Farinha de Arroz Urbano. A embalagem dizia "ideal para empanar", mas que empanar, que nada! Nós temos uma máquina panificadora, então logo surgiu aquela lâmpada brilhando no alto de nossas cabeças: "vamos levar essa farinha e inventar o pão de arroz!".

Alguns dos melhores inventos da humanidade aconteceram por acaso. O camarada que inventou o microondas, por exemplo, só percebeu o que estava inventando quando o chocolate que tinha no bolso derreteu. Os portugueses inventaram o pára-brisa sem perceber que o ideal seria colocá-lo do lado de fora do carro e o inventor da borracha sintética só a descobriu a fórmula porque resolveu esconder sua experiência no forno para não levar uma bronca da esposa.

Então, assim por acaso, tentando inventar o pão de arroz, descobrimos a mais mortífera arma jamais criada: o pão-de-pedra. Sério! Se eu largar o nosso pão de arroz no chão, ele afundará até o centro da terra. Chuck Norris quebrou o pé tentando dar um roundhouse kick no nosso invento e esqueçam o adamantium do Wolverine, pois nem suas garras seriam capazes de fazer um risco sequer no nosso pão.

Infelizmente, não nos concederam a patente por essa descoberta única, mas já avisaram que o exército virá em breve para recolher esse perigoso armamento e guardá-lo em algum setor de segurança máxima.

5月4日

Astrologia e probabilidades

O renomado físico Carl Sagan, defensor incansável da Ciência, se preocupou muito nos últimos anos de vida com o aumento do obscurantismo no mundo. Seu sonho era assistir a um episódio de Arquivo X onde a explicação fosse algo perfeitamente científico, sem insinuação de inexplicáveis acontecimentos sobrenaturais. Assim, acho que podemos levar em conta o fato dele ter admitido que seres humanos possuem capacidade de movimentar objetos à distância. Ele disse que a capacidade é limitada e que o controle sobre a movimentação do objeto é fraca, mas admitiu que a telecinésia existe de fato.

Na semana passada, fiquei sabendo através de um programa da Discovery de algo ainda mais extraordinário. Vejam, a Discovery também é um canal de divulgação científica e a matéria em questão foi feita dentro de um laboratório de Londres, onde uma cientista mostrou os resultados do seu trabalho. Um computador gera números randômicos numa tela. Esses números podem ser pares ou ímpares e, naturalmente, passado algum tempo, a estatística de números pares e ímpares será próxima da casa dos 50%. Ok, acontece que alguns seres humanos, se concentrando, conseguem alterar essa estatística.

reparem que não se trata de mover uma bolinha numa mesa, trata-se de pensar seguidamente "par -par - par -par..." e esse simples pensamento fazer com que a incidência de pares seja maior que a de ímpares. A cientista admite que a mudança é baixa, coisa de 2 ou 3 pontos percentuais. No entanto, quero que entendam com o que estamos lidando aqui e, para isso, vamos apelar para uma das  maiores fontes de conhecimento do nosso tempo: história em quadrinhos.

John Byrne, grande roteirista de histórias dos Heróis Marvel, certa vez assumiu as histórias dos Vingadores. Naquele grupo, havia uma personagem que andava com maiozinho vermelho (bem mais bonito que o da Mulher-Maravilha) e que atendia pelo nome de Feiticeira Escarlate. John notou logo que o poder dela poderia ser explicado de uma outra forma e assim ela se tornou por algum tempo a personagem mais poderosa do universo Marvel. O poder dela? Alterar probabilidades. Ela olhava para um prédio e pensava: "qual a chance da estrutura desse prédio entrar em colapso exatamente agora?" Vamos supor que fosse 1 chance em 1.998.989.998.999. Ela se concentrava e a chance passava a ser 1:1 e o prédio desmoronava.

Eu fiquei cheio de perguntas quanto as pesquisas feitas em Londres. E se dois seres humanos juntos, pensando na mesma coisa, conseguirem alterar as probabilidades de modo maior que um só? E se isso funcionar não só para números pares-ímpares, mas também para eventos em geral? Não seria a comprovação científica da eficácia das duas famosas recomendações: "pense positivo!" e "não pense em desgraça senão você a atrairá!"?

Não seria também uma explicação para coisas aparentemente inexplicáveis como a astrologia? Não estou me referindo ao horóscopo do jornal, mas sim as características de cada signo. É impressionante como essas características costumam combinar com os nativos de cada casa zodiacal.

Aí, ou o fato de muitos acreditarem em astrologia altera a realidade e faz com que ela funcione ou a pessoa lê que deve ser egocêntrica porque é leonina e se torna egocêntrica. A única explicação, fora essas duas, seria os astros realmente enviarem energias especiais para os nascidos em determinados dias do ano, o que não me parece muito plausível, mas como ensina a boa mineira Strix: "nunca se deve sair de cima de um muro".

Enfim, eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem. Por via das dúvidas, de hoje em diante, tentarei manter sempre uma atitude positiva em relação a vida.

"Megasena, megasena, megasena..."

Observações finais:

- Os fãs de Lost já devem ter notado como essa capacidade explicaria muitas coisas da série, não? Até mesmo uma sequência de números e um meteoro caindo numa lancheria...

- Durante uma conversa com uma psicóloga, acabei descobrindo o que faz o Teste das Cores funcionar! É a estatística! Eles simplesmente sabem que quem seleciona as cores naquela determinada sequencia está se sentido assim, assim  e assado porque milhares já responderam aqueles testes antes e revelaram para os entrevistadores como estavam se sentindo.

Acreditam nisso? Nós nos julgamos tão especiais, tão diferentes dos outros, mas quando estamos deprimidos, selecionamos 8 cores exatamente da mesma forma como outras pessoas deprimidas selecionam! "Tão desiguais, tão desiguais, todos iguais..." (Humberto Gessinger tinha razão!)

4月29日

Acelerando no Linux

Viva o software livre!

Descobri que o Linux oferece dezenas, centenas, milhares de jogos para você baixar e instalar. TUDO DE GRAÇA!

Lembrei do meu priminho Gui, fanático por carros de corrida e que sempre me pede, tão logo me vê: "Tem joguinho no computador?"

Aí, baixei o Torcs, um jogo de corrida do repositório de softwares do Ubuntu, que é a mais famosa distribuição de Linux da atualidade.

Bom, o jogo funciona, mas... Como tudo o que é de graça, alguns opcionais automotivos não vieram junto com os carros de corrida…

Vocês podem conferir pela tela do jogo aí em baixo...

linux_torcs


4月3日

Nino, o bandido

Cuidado! Se você demorar demais para ver esse meliante, seu presunto já pode ter sumido do seu prato!

 
4月2日

Kurt Cobain & Los Manolos

Segue uma dica para quem gosta de cantar: Ultrastar Deluxe, um jogo freeware que simula um Karaoke, com nota para os cantores e tudo o mais.

Achei super interessante que, nos sites com músicas para baixar, a maioria são videoclipes das canções originais.

Bom, como sou macho e meio, tchê, do tipo que não toma banho usando sabonete, mas sim um tijolo, desafiei a Lisa para um duelo "na casa do adversário".

Por casa do adversário entenda-se All My Loving da banda The Beatles.

Devo dizer que, na minha imaginação, eu interpretei a canção dos almofadinhas de modo comovente, me tornando praticamente o quinto integrante da banda de Liverpool.

Resultado final: Samael 60  x  1370 Lisa

Fiquei desapontado e busquei o socorro da amiga Luciana Bertini, através do MSN:

Samael: A Lisa me massacrou no Karaoke! 1370 x 60 !!! :-(

Luciana: Tudo bem, não liga, a Lisa não sabe mesmo cantar direito.

Lisa: é verdade, eu nunca acerto o tom...

Samael: Ah bom...

(pausa)

Samael: ...Eiiiiii!!! Esperem um minuto...

Foi aí que fiquei tão invocado que baixei Enter Sandman, do Metallica. Tirei 360. Claro, no meu desespero, esqueci que Enter Sandman é cantada por um deus e um pobre mortal não pode querer igualar-se aos deuses.

Tentei Adriana Calcagnotto, Assim Sem Você. "Vai ver que minha voz tem algum parentesco com a dela" -  esta era minha esperança. A esperança morreu com míseros 250 pontos e conclui que devo estar mais para Claudinho e Buchecha do que para minha prima.

Aí, apelei de vez! Ou vai ou racha! Smells Like Teen Spirit, do Nirvana e... Kurt Cobain reapareceu aqui na Ilha! 2570 pontos e o recorde da casa.

Só tem um probleminha nessa história, pois forcei tanto a voz para imitar o Kurt que minha garganta está em chamas até agora! :-p

P.S. - Ainda não entendo o que aconteceu com All My Loving! Ora bolas, eu cantei exatamente igual a eles:

  
4月1日

Contrabanquistas no elevador

Lá estava eu, entrando no elevador de uma das galerias centrais aqui de Florianópolis, quando de repente entraram comigo dois sujeitos engravatados. Antigamente, meu primeiro palpite sherlockholmiano seria: "Mórmons!". Contudo, sabe-se que, hoje em dia, você chuta uma pedra qualquer e logo saem de baixo dela vários desses sujeitos engomadinhos, todos com carteirinha da OAB na mão.

O primeiro advogado disse para o colega:

- Olha só o livro que eu comprei!

O colega e eu, metendo o nariz no meio, olhamos imediatamente para o livro. O nome do dito cujo era Contra-Banco e a felicidade daqueles dois no elevador me comoveu.

"Blá, blá, blá, o autor é um gênio! Blá, blá, Blá, tudo sobre processo bancário...".

Gente, antes que alguém se entusiasme e queira virar um contrabanquista, deixa eu explicar uma coisa: sabem aquelas Bíblias de capa-dura das Edições Paulinas? Se juntar quatro dessas Bíblias ainda não chega na espessura do livro que o advogado tinha nas mãos.

Minha amiga Fran ainda me pergunta quando eu vou fazer Direito! Ora, señorita, eu já faço academia, portanto não preciso carregar um livro de quinze quilos por aí afora. Imagine, poderiam até me prender por andar armado! De todo o modo, fica registrada a minha admiração: apenas um advogado para se sentir no paraíso tendo pela frente quatro mil páginas de leitura chata. Sinceramente, eu teria uma congestão cerebral antes da metade.

3月30日

A amarga vitória de Rubinho

A maioria está feliz com a volta por cima de Rubens Barrichello. Ele fora dispensado de uma equipe de porte médio e estava desesperado tentando conseguir uma vaga qualquer voltar as pistas. Aí, ele teve a incrível sorte de ser contratado pela Brawn GP, uma estreante e, pasmem, não é que ela apresentou o melhor carro da temporada?

Resultado: dobradinha dos pilotos da nova equipe, com o brasileiro, obviamente, em segundo.

Saber quando parar é uma arte que os grandes devem dominar. Infelizmente, Rubinho nunca sequer chegou perto der ser um grande piloto e só mesmo o nosso ufanismo bocó para elevá-lo a patamares que ele nunca chegou. Querer colocar Rubinho na galeria de grandes pilotos da F-1 é o mesmo que querer colocar uma tartaruga em cima de um poste.

O problema maior da presença de Rubinho ali, dando vexame na largada, é que ele está ocupando um lugar que poderia ter sido de outro brasileiro. Se Rubinho tivesse pendurado o capacete, então ele não disputaria a vaga na Brawn GP com Bruno Senna. Sim, estou falando do sobrinho de um tal Ayrton... Imaginem, minha gente! Imaginem o sobrinho de Senna estreando na F-1 e logo de cara vencendo a corrida!

Claro que talvez o Senna-sobrinho tivesse apenas repetido a performance de Rubinho ou até menos, mas de uma coisa eu tenho certeza: eu queria ter visto isso!

Rubinho finalmente ganhou uma disputa de um Senna, mas ao fazer isso nos privou de um dos momentos mais lindos do esporte.

3月26日

Os Contos do Cargueiro Negro

O filme de Watchmen, por si só, irá se tornar um DVD obrigatório nas estantes de todos os fãs de cinema. Imaginem então com o extra "Contos do Cargueiro Negro", que será lançado somente para este DVD.

Bom, melhor explicar antes do que se trata: dentro da história de Watchmen, tem um garoto que lê um gibi e a história que ele lê no gibi é essa aventura do Cargueiro Negro. Portanto, é um gibi dentro do gibi, coisas de Alan Moore que só o Mouta saberia explicar na nomenclatura correta. Para quem nunca ouviu falar, Mouta é um maestro das Letras que volta e meia me ajuda na revisão dos meus contos. Eu sempre prometo que lhe pagarei 0,30 centavos de pataca por hora, mas nunca cumpro a promessa.

A história do Corsário é tão fantástica que não podia ficar de fora, mas não conseguiram imaginar um jeito de encaixar isso durante o filme. Então, sabiamente, fizeram em formato de animação e colocaram o conto como um extra para o DVD.

Ficou perfeito. A narração é de Gerald Butler, o Rei Leônidas de 300, e a história tem tanta força que poderia até render um filme inteiro. Como os produtores não são loucos, fizeram a coisa certa e usaram o texto original de Alan Moore praticamente sem retoques. A quantidade de frases de impacto, sobretudo no final da história, é de arrepiar.

Um resumo: é uma história sombria, mais sombria do que qualquer outra parte de Watchmen. O narrador é o único sobrevivente de um ataque de piratas ao seu navio. Desolado, o ex-comandante consegue chegar a uma ilha, junto com os destroços e os corpos de sua finada tripulação. Ele é casado, tem duas filhas e sabe que os piratas do Cargueiro Negro que o atacaram estão rumando para a costa, onde irão sem dúvida atacar a cidade e massacrar todos.

Ele perdeu seu navio e sua tripulação e ficou ali, único sobrevivente numa ilha deserta, sem poder dar o alerta sobre a ameaça do Cargueiro Negro. Ele sabe que sua mulher e filhas serão mortas e isso é intolerável, pois ele as ama mais que tudo. Assim, é o amor que move o sobrevivente e ele arquiteta o plano mais inconcebível para tentar chegar a costa antes dos piratas: uma jangada feita de destroços do navio que, para flutuar, irá utilizar os cadáveres dos tripulantes.

É um plano insano, mas a simples idéia de não fazer nada enquanto sua família está prestes a ser massacrada lhe é intolerável. Desde o início, como eu já disse, é o amor que mantêm esse homem de pé, resistindo, lutando. E lá vai ele, mar adentro com sua jangada de mortos... Conseguirá nosso herói chegar a tempo? Comprem o DVD e descubram!

John Woo reapareceu

Ele tinha sumido nos últimos anos. Foi preciso que abandonasse a pompa e o glamour do grande centro e retornasse ao seu país para que reencontrasse seu estilo e pudesse fazer aquilo que ele sabe fazer de melhor: divertir o grande público.

Estou falando, claro, de John Woo, o diretor de cinema chinês que fez muito sucesso em Hollywood com filmes como Missão Impossível II e O Alvo. Mais do que isso, John Woo virou uma espécie de mito do cinema de ação, tendo o seu estilo largamente copiado por muitos outros diretores. O segredo é que Woo nunca quis filmar guerras e tiroteios, ele sempre foi aficcionado por danças e, levado pelo mercado, quando começou a dirigir filmes de ação, transformou a violência em coreografia.

Cenas que você já deve ter visto em algum filme e que são assinaturas de John Woo:

- Dois inimigos apontando pistolas ao mesmo tempo um para a cara do outro.

- Pombos voando pelo cenário no momento crucial. Aqui, digamos que ele imitou o meu rolo de capim, mas vá lá... Eu deixo.

O problema é que Woo ficou aprisionado ao estilo de Holywood. Nenhum dos filmes que fez pode se comparar com os que fizera antes em Hong Kong. Nenhum filme jamais chegou aos pés de The Killer, por exemplo.

Então, a China chamou-o de volta e lhe deram um caminhão de dinheiro para que escrevesse o roteiro e dirigisse a adaptação da Batalha do Rochedo Vermelho, um dos episódios mais famosos da história chinesa.

Século II, o general Cao Cao manipula o fraco imperador do Norte, convencendo-o de que é precisa guerrear contra os principados do sul antes que se rebelem. O famoso general jamais perdera uma batalha sequer e, tendo conseguido a autorização, partiu para o sul com um exército de 800.000 homens (percebam como a China era desabitada naquela época...).

Quer dizer, Cao Cao diz que tem 800.000, mas será que é isso mesmo? Aí é que está a graça do filme, pois é como acompanhar uma partida de War, com tabuleiro e tudo. O exército do norte massacra um dos exércitos do sul, que foge e se alia ao vizinho. Juntos, eles tem 100.000 homens e precisam defender o Rochedo Vermelho contra a investida de Cao Cao, que está chegando com seu exército imenso.

Nessa guerra de proporções monumentais, dizem que tudo é motivado apenas pelo amor que Cao Cao tem pela esposa do governador do sul e juram até hoje que o destino de milhões foi decidido por uma xícara de chá (!!!).

As estratégias militares, a antecipação dos passos do inimigo e a previsão de que, mesmo aliados no presente podem se tornar rivais no futuro, fazem esse filme obrigatório para os fãs de jogos como Diplomacia e War (leu essa parte, general Locke Lopes? ).

John Woo reapareceu em grande estilo. Não perfeito, não magistral, mas finalmente voltando a ser ousado, o que é a sua grande qualidade. Às vezes, a cena que ele filma dá errado, mas quando ele acerta a mão, meus amigos, é de encher os olhos! Um dos melhores filmes chineses desde Herói.

3月17日

O legítimo Pescador de Ilusões

Desde que cheguei aqui na Ilha da Magia, tenho tentado pescar alguns peixes para encher o frigidaire. Após inúmeros insucessos, que incluíram fatos como só pescar um baiacu duas vezes, rolar morro abaixo pelos espinheiros, perder metade da vara de pesca no meio do mato e quase me afogar, resolvi dar um basta na questão e ir tentar a sorte na pacífica praia de Daniela.

Nessa altura do campeonato, minha vara circuncisada de pouco valia, pois até o molinete quebrou na última aventura. Então, tomei uma atitude, ou melhor, tomei uma Bohemia e usei a garrafa para enrolar a linha de pesca. Pescador que é pescador tem esse lado McGyver de ser...

Levei meus apetrechos para o Pontal de Daniela e então percebi que eu esquecera algo fundamental: as iscas.

No desespero, tentei usar massinha de pescar lambari, pois quem sabe um lambari de água salgada (uma nova espécie) resolvesse surgir em Daniela naquele exato momento. Mas, que nada! A evolução das espécies não atende nossos desejos e nem adiantou pendurar nos anzóis os pedaços de maçã que a Lisa me ofereceu. Pelo visto, os peixes mantêm uma dieta alimentar nada saudável.

Novamente, os papa-terras me escaparam! No entanto, eu sinto que eles estão se sentindo cercados pela minha persistência! Quando o momento certo chegar, não os perdoarei!

Por enquanto, só sei que o Falcão do Rappa é um grande mentiroso. Aqui, na Ilha da Magia, não tem para ninguém: eu sou o único e legítimo Pescador de Ilusões!

3月16日

Que papelão, hein?

O orkut sempre me aborrece com uma mensagem sobre o navegador que eu estou usando. Se eu entro nele com Firefox ou com Opera, ele me sugere o uso do Google Chrome. Se eu entro com o Internet Explorer Beta, além de fazer um escândalo afirmando que ainda não há suporte para bate-papo com este navegador, o orkut também insiste para que eu experimente o tal Chrome.

Quando, finalmente, entro no orkut usando o Chrome, ele me dá os parabéns, com aquelas piadinhas típicas do Google: "Você está usando o Chrome! Cuide bem dele..."

Nada demais, apenas propaganda natural de outro software da mesma empresa (o orkut é da Google). O problema é que, por força de minha profissão, eu uso também o LINUX para fazer alguns testes. Adivinhem o que acontece quando eu entro no orkut com o Firefox ou o Opera rodando em Linux? A mensagem sugerindo que eu troque de navegador NÃO APARECE!

Bug do Linux? Ou melhor, uma benção do Linux? Que nada! É que o orkut sabe que o Google Chrome não funciona neste sistema operacional e, por isso, nem dá a dica. Na minha opinião, isso é um grande papelão que o Google aprontou com a comunidade defensora do software livre.

Antes de continuar, quero dizer que acompanho com interesse a batalha das gigantes da informática. Microsoft, Google, Apple, Sun, IBM, Adobe, ..., é uma batalha por bilhões de dólares em mercado. Acompanhar os lances de cada uma dessas empresas é como observar uma partida de xadrez de proporções titânicas. Não tenho nada contra nenhuma delas, na verdade, acredito que essa competição toda só me beneficia, pois força os softwares a evoluírem rapidamente. Quem demora demais para lançar novidades ou para qualificar seus produtos, caí fora do mercado num instante. Por exemplo, uma vez todo mundo usava um software chamado ICQ...

Explicado isso, dá para entender como o caso do Chrome é constrangedor. O Google, "amante da liberdade", usou códigos abertos para desenvolver seu produto. Só que esse amor todo do Google pela liberdade na verdade não passa de interesse comercial, o mesmo desejo de onze em cada dez gigantes do mercado: enfraquecer a Microsoft.

No caso, foi um recado do Google para seu rival de Redmond, que pode ser traduzido assim: "Se vocês insistirem em comprar o Yahoo e nos atacar nos mecanismos de buscas, vamos duelar também pelo mercado dos browsers de internet...".

O pior é que o Chrome não tem versão para Linux. O Google simplesmente desprezou o sistema operacional símbolo do código aberto e dos amantes da liberdade. Versão para Linux só em junho deste ano e isso porque a empresa sentiu as críticas que vieram do público.

Acho que fica uma grande lição para todos:

No dia em que a Microsoft for superada, ela o será por uma outra gigante que não hesitará em usar os mesmos meios que fazem tantos condenar a própria Microsoft. Não existem heróis nesse mercado.