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日志


11月22日

O Causo da Onda Esquisita

Aproveitando o último dia de férias, Lisa me incumbiu de planejar um passeio. Eu tinha várias opções. A primeira que me passou pela cabeça foi uma visita à praia de Pântano do Sul, onde é possível caminhar pela areia e encontrar até estrelas-do-mar e outras coisas exóticas. Porém, e se chovesse?

Pensei então em ir para o meio caminho da Serra, comprar mel num lugar chamado Angelina. Porém, era viagem de quase uma hora e só tínhamos meio turno para o passeio. Foi aí que decidi por visitar Jurerê, uma praia do norte da ilha, local do nosso casório.

O meio-turno logo se transformou em um quarto, devido ao sol forte e calor insuportável. Simplesmente não dava para sair de casa após o meio-dia. Decidimos sestear e sair após a metade da tarde.

No primeiro momento, achamos que tínhamos feito um bom negócio, pois nuvens encombriram o sol e um vento refrescante começou a soprar. No entanto, já quase chegando a Jurerê, percebemos que as nuvens estavam pretas, nem cinza mais elas eram! Uma massa da água gigantesca suspensa sobre nossas cabeças, e quanto aquele vento refrescante... bem:

- Sam, tem um monte de folhas secas nos ultrapassando.

E eu, achando que a Lisa estava novamente de sacanagem com o Brisa Negra, porque ele tem motor 1.0:

- Imagina! Nós estamos a 80 km por hora! Se têm folhas passando a gente, chama o guarda pra multar!

Nisso, uma tampa de plástico atingiu violentamente o carro e os primeiros pingos de água começaram a cair. Nos abrigamos no Trilegal, uma lancheria macanuda que tem lá em Canasvieras e esperamos a tormenta passar, comendo isca de peixe e tomando limonada. Nem chegou a chover muito, mas, observando as nuvens que estavam carregadas mais para o leste e sul da ilha, não pude deixar de comentar com a Lisa:

- Vamos ficar de olho naquele gordinho ali na praia, se ele correr para as montanhas, vamos seguindo ele antes do tsunami chegar.

E foi só isso, voltamos para casa numa boa.

No dia seguinte... Vocês lembram para onde eu queria ir em primeiro lugar, né? Pois então, imaginem minha cara ao ver o Jornal do Almoço e ficar sabendo que os ventos chegaram mesmo aos 110Km por hora! Fui ultrapassado pór um bando de folhas secas!

Já lá no Pântano do Sul, uma Freak Wave resolveu invadir a praia onde eu me imaginei passeando com a Lisa! Sim, uma onda gigante invadiu a praia e levou os barcos para o lugar aonde eu estaciono o meu carro quando lá. Imaginem a minha cara vendo isso:

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=2&contentID=86746&channel=47

É, meus amigos, Floripa é uma ilha muito mais perigosa do que a de Lost.

11月6日

A Balada do Velho Kadett

Em 1999, minha família comprou o primeiro carro da casa e eu fui escalado como o motorista oficial. Foi assim que conheci o Kadet bordô metálico, ano 97, que meu primo sacana apelidou, tão logo o viu, de Sagu.

"Sagu I" - eu o corrigi, já batizando o veículo.

E assim, ao longo de dez anos - uma década! - eu e o Kadett percorremos juntos cerca de 80.000 quilômetros.

O que dá para transportar num carro? Bom, cabe praticamente uma vida inteira. Foi nele, por exemplo, que eu trouxe toda a minha mudança de Bento Gonçalves para Floripa. Mala, cuia e até uma mesa de jantar de seis lugares. Tudo dentro do bom e velho Kadett, para espanto do fiscal do ICMS que nos parou na estrada.

Falando em transportes importantes, talvez o maior de todos tenha sido quando ele trouxe minha atrasada noiva, às pressas, para o casamento! Naquela ocasião, ele nem mesmo se importou em ser dirigido pela madrinha Sabrina, que achou que viria apenas para uma grande festa e nem imaginou que acabaria tendo que atuar como piloto de Fórmula 1.

Lá atrás, bem no início da história, o Kadett teve que me suportar, pois eu recém tinha aprendido a dirigir e, Caxias como sou, me recusei a andar de carro "ilegalmente" para ir treinando antes da chegada de nosso primeiro carro. Às vezes eu gostaria de ser como o meu primo Rodrigo, que nos sábados ia correndo lavar o carro do padre para depois conseguir do reverendo a permissão de levar o carro para dar uma volta, sob o pretexto de "secá-lo mais rápido". Meu primo tinha muito status, imaginem, ele dava bandas pela cidade no fusca do padre!

Já eu, quando comecei a dirigir, logo fui tentar tirar o Kadett da vaga na garagem e entortei uma porta em uma coluna (argh!). Depois, indo para a praia, pois sempre íamos para a praia no verão, eu achei estranho o modo como o carro, na chuva, ia trocando de pista sem minha autorização. Dudu, o mecânico da família, quase teve um treco quando levei o carro para ele ver. Haviam nos vendido um veículo com os pneus mais carecas que o Esperidião Amin.

No ano seguinte, eu já estava um ásno volante. Tão ás que passei voando por uma fiscalização eletrônica. R$ 128,00 para eu não esquecer mais daquele maldito pardal em São Sebastião do Caí. Mais um ano, mais um show do ásno volante. Mesmo pardal, mais a multa foi de R$ 560,00, pois dessa vez eu estava dirigindo mais rápido.

Nos últimos anos, o Kadett vinha sofrendo comigo. Um estranho numa terra estranha. Não havia estacionamento disponível no centro de Floripa e tive que deixá-lo na rua, pegando o sereno noturno, o sol quente do meio-dia e a maresia constante. Ele suportou tudo com dignidade, mesmo com sua pintura queimando dia após dia, mesmo com um flanelinha marginal riscando sua lataria porque o encontrou repousando em lugar inadequado. Ele suportou tudo isso e, para ser sincero, as únicas vezes em que me deixou empenhado na estrada foram quando eu me esqueci de colocar gasolina nele. Alias, isso era uma manha constante: sem gasolina, ele se recusava a andar.

Ano passado, Gabriel, meu priminho de seis anos, enquanto eu dava carona para ele e sua mãe, comentou com o Bruninho que estava ao lado:

Bruninho: "Que legal, um Kadett!"

Gabriel: "Ah! Tu gosta de carro velho?"

Chegou a me dar uma dor no coração. Percebem como a inocência das crianças pode ser cruel? Dizer uma coisa dessas sobre o Sagu, dentro do Sagu!

Ora, o vermelho podia já ter doze anos de idade, mas quando estava na estrada, mostrava para todos os Unos Milles, como o do pai do Gabriel,  o que era ter um motor 2.0 de Vectra. Eu pisava no acelerador e o mundo ficava para trás. Bom, ok, é certo que alguns Toyotas, Hondas e Audis passavam por mim, mas Celtas, Corsas, Uno Milles, Clios, Kas? Jamais! Era só acelerar e logo o Kadett alcançava os 120Km. Nessa velocidade, ele até economizava mais gasolina. Era a sua velocidade favorita, e ele ia nela feliz e contente. Essa era a balada do velho Kadett.

Nos últimos tempos, admito que ele já andava dando sinais de sua longa vida. Ele parecia se sentir melhor nos 100 Km/h e uma série de outros detalhes mostravam sua fadiga. Foi então que finalmente fomos sorteados no consórcio do carro zero. No dia em que fomos na concessionária pegar o carro novo, nem chegamos a ver o momento em que o Kadett foi recolhido para o fundo do pátio. Num momento, ele estava lá, brilhando ao sol, bonito como sempre, no seguinte, não estava mais.

Já faz um mês que estou conhecendo e dando as boas-vindas ao novo carro. Ele é preto, pensei em chamá-lo de Jabuticaba II, mas Lisa observou que ou era Jabuticaba I ou Sagu II e que ela não gosta nem da fruta, nem do doce. Aí, inspirado em uma famosa canção gaúcha, lancei: "Que tal Vento Negro?". Lisa respondeu: "Vento Negro? Mas é um carro com motor 1.0! Eu acho que vi até um Fusca nos ultrapassando!". Senhores, dêem as boas vindas ao meu novo carro, o Brisa Negra!

Quanto ao Kadett. Sabem de uma coisa? Ele é apenas um bem material. Levar meu tio para a praia no último ano de vida dele, saber que minha madrinha dirigiu bravamente para trazer minha esposa até o altar, tudo isso são recordações da minha vida que não foram e não serão jamais vendidas.

O Kadett será reformado, será revendido e, certamente, fará a alegria de mais uma família por aí afora. Feliz de quem o comprar. E, quem sabe um dia, quando ele não tiver mais como rodar por esse mundo, talvez venha comigo para andarmos juntos por outros campos.

8月27日

Ninja de amarelo só mesmo em filmes

Existem pequenas cenas do cotidiano que são impagáveis e feliz é aquele que está presente e que presta atenção no lugar certo, na hora certa.
Por exemplo, de manhã cedo, eu acordei e fui direto para o computador, que se localiza numa escrivaninha ao lado do guarda-roupa. Passam-se alguns minutos, onde o único som é o do meu digitar no teclado. Um som alto, porque eu martelo as teclas com apenas dois dedos. Aí, num intervalo para a leitura das notícias do dia, um ruído inesperado vem de trás da porta do guarda-roupa que eu havia percebido aberta e que fechara antes de chegar ao computador.
Percebi então que eu havia trancado os gatos da casa dentro do móvel. Claro, eles estavam lá, sobre as roupas da Lisa, tirando uma soneca ilegal. Mas isso não vem ao caso, pois o interessante foi observar.
Um ruído de algo empurrando a porta e logo surge uma pata preta. Amélie, a gata ninja, esticou sua patinha preta para fora, a torceu como se fosse uma mão humana, agarrou o canto da porta e forçou a porta para fora, o suficiente para escapulir da 'prisão' em menos de dez segundos. Além do pequeno ruído inicial, só ouvi um 'nhec' da porta abrindo um pouco e voltando a fechar por conta da mola. Amélie não fez um ruído sequer, caiu silenciosa no chão e partiu como um raio em direção à cozinha.
Voltei ao computador. Dois minutos depois, novo ruído vindo da mesma porta. Nino, o canalha amarelo, também estava preso e resolveu imitar a fuga de Amélie. Saí então da porta uma pata laranja que fica balançando no ar, em todas as direções, sem nenhum propósito aparente e também sem nenhum resultado prático. Ouve-se um "rrrrrummm" de desaprovação emitido lá dentro do armário. Novos ruídos de movimentação por lá, uma cabeçada na porta... Sem resultado. Outra vez sai a pata, abanando para todos os lados, parecendo um daqueles bonecões de posto. Volta a pata e ouvem-se mais resmungos. Finalmente, bate o desespero e patas começam a arranhar a porta, na esperança de talvez cavar uma saída dali.
Nesse ponto, eu já sabia que em segundos começaria a Sinfonia em Mi Maior e corri para libertar o indivíduo meliante. Ele saiu da sua 'prisão' resmungando devido a demora no atendimento.
Realmente, só um deles sobreviverá ao apocalipse zumbi...

7月30日

System failure nos sebos

Durante os primeiros duzentos e dez dias deste ano, meu pés estavam totalmente em forma. Hoje, justamente no dia em que um deles decidiu se abrir em virtude do frio, eu resolvi fazer uma peregrinação pelo centro em busca do livro perdido.
Na verdade, não é um livro perdido, é apenas um livro que eu quero ler antes que a adaptação chegue ao cinema. O preço nas livrarias subiu drasticamente, já antecipando o sucesso do filme, então, lá fui eu percorrer, mancando, alguns sebos da ilha-que-me-odeia.
No primeiro sebo, nem computador tinha de tão pequeno que era. "Sem chances" - pensei eu - e meu palpite se confirmou.
No segundo sebo, um computador!
"Oba! Não perderei tempo tentando achar o livro nessas prateleiras enormes!"
Fui logo pedir para a moça se tinha o tal livro. Ela me disse que eu deveria ir procurar na prateleira tal da seção tal...
Meu queixo caiu. Olhei esperançoso para a tela do computador, tentando insinuar que havia um meio mais rápido de ver se o livro estava no sebo, mas minha indireta foi em vão porque eles não tem os livros cadastrados no computador.
(em certas ocasiões, eu entendo perfeitamente como a Alice se sentia andando por um lugar absolutamente non-sense)
No sebo seguinte, recebi um "desculpe moço, mas o sistema está fora do ar". Fiquei até com medo que o livreiro me reconhecesse como Analista de Suporte e pedisse ajuda para consertar o sistema, então corri para olhar nas prateleiras onde ele disse que os livros estavam indexados por ordem do primeiro nome do autor. Fui olhar direto na letra D, de Dennis Lehane, e encontrei vários livros conhecidos: Cipreste Triste, Morte no Funeral, Um Brinde de Cianureto... Nem perguntei o que Agatha Christie estava fazendo na letra D, pois era uma questão de segundos antes dele me reconhecer como "o cara que mexe com computadores". Sai do local quase correndo e me dirigi ao último sebo da jornada.
Naquela altura, eu já havia desenvolvido um método de busca. Primeiro tentei procurar na prateleira de literatura internacional. A letra L, de Lehanne, deveria estar na prateleira 16... Achei as prateleiras 15 e 17 e percebi que, além de não achar o livro que eu queria, ainda por cima eu tinha perdido uma prateleira inteira. Resignado, fui consultar o vendedor que estava na frente de um computador moderno, com tela de LCD e tudo. "Oba, agora vai!".
""Boa tarde, eu gostaria de saber se vocês tem um livro, o senhor pode consultar para mim?"
"Claro, qual o nome?"
"Paciente 67, de..."
"Não tem."
Sim, ele disse isso SEM usar o computador para pesquisar!
Agradeci a informação e vim mancando para casa, pensando nas mil e uma possibilidades de um bom sistema para sebos. "Preferências do leitor com e-mail alert assim que chegar uma obra de um autor ou de um estilo que o cliente já comprou antes", "lista de desejáveis, com preço combinado de antemão, caso o livreiro consiga a raridade...", enfim, são tantas possibilidades para se ganhar dinheiro usando o computador como ferramenta e não apenas como decoração!

7月17日

Epic Fail no Splash Screen

Os desenvolvedores de sistema costumam ser assim, cheios de gracinhas. Lembro de um sujeito que certa vez escutou uma reclamação do dono da empresa: "esse sistema abre depressa demais, está faltando aquela telinha que nem o Office tem para que o usuário final pense que o sistema é mais complexo!"

(sim, antes de continuar, esclareço que o dono da empresa também se recusava a colocar preços nos produtos como R$ 2.000,00 ou parecidos. Tinha que ser R$ 2.134,80 ou por aí, "para dar a impressão de que houve um cálculo complexo para se chegar a este valor...")

Resultado, o desenvolvedor criou o splash screen para o sistema, atendendo de má vontade ao pedido do patrão. Nesse splash apareciam rapidamente varias frases, teoricamente indicando quais módulos do sistema estava sendo carregado e tal.

Tudo mentira. Quando o dono da empresa quis se gabar para um cliente de que o sistema funcionava até mesmo em computadores bem antigos, foi se inventar de demonstrar isso instalando o produto em um computador PC 133 do tipo "Jesus está me chamando".

O splash screen das frases rapidíssimas rodou devagar, devagarinho, e então deu para ler claramente as frases que nas máquinas normais apareciam em menos de 2 segundos:

"Carregando azeite.dll"

"Adicionando sal_de_cozinha.ocx"

"Acionando protocolo caseiro de combustão"

"Acrescentando milho.dll"

"Fazendo pipoca.exe"

Epílogo: chefe invade a sala de desenvolvimento e se dirige para a mesa do programador. Todos param seus afazeres e olham a cena. Ele começa dizendo: "Tu sabia que só se coloca sal na pipoca depois de pronta?".

Não sei o que ocorreu a seguir, pois naquela hora todos os demais sentimos uma vontade súbita de sair para tomarmos um cafezinho.

6月24日

Peroba do Campo

Não existe prova maior de amor e dedicação do que acompanhar sua esposa durante as compras no supermercado. Por isso, no domingo à noite, lá estava eu, fiel escudeiro da Lisa, para juntos finalizarmos as compras mensais de mantimentos para o nosso lar.

Hein? Não entende a dificuldade de ir ao supermercado com uma mulher, sir William? É simples, imagine você parado, esperando enquanto é feito o cálculo do que é mais vantajoso: R$ 3,75 por 245ml ou R$ 5,28 por 420ml? E qual das marcas tem a melhor composição química? E qual é o prazo de validade das candidatas?

Imagine o tempo gasto nisso e multiplique por dezenas de produtos que estão na lista de compras e mais algumas novidades que os malandros do supermercado sempre colocam estrategicamente pelo caminho!

Bom, mas eu me divirto em qualquer ocasião, assim, lembrando que Lisa insiste em usar a alcunha "cara-de-pau" para se referir a minha pessoa em diversas circunstâncias, não pude deixar de dar o troco!

- Lisa, venha cá ver, que lançaram uma nova loção hidratante especial para tua pele!

Lá vem a Lisa e eu apresento para ela "Peroba do Campo", o lustra-móveis com aroma de sândalo.

- Ha ha ha! Ai! Ai! Ha ha ha! Ai Ai! - esse sou eu, rindo e apanhando ao mesmo tempo.

Tudo podia terminar bem para mim, mas a curiosidade matou o pato. Eu adoro sândalo e manifestei meu desejo de sentir o aroma do tal Peroba do Campo. Tentei abrir a tampa e nada. Lisa orientou:

- Tem que puxar...

E eu fui tentar puxar, já com o produto bem perto do meu nariz. Eis então que a tampa se soltou de supetão e uma generosa quantia de Peroba do Campo se espalhou pela minha cara! Não me restou alternativa senão espalhar o produto pelo rosto.

Sim, a Lisa ficou com esse mesmo riso de vocês, leitores, estampado na face, mas achou melhor não adicionar nenhum comentário à cena. Não era necessário...

Em tempo, a "loção" tem um aroma maravilhoso.

6月22日

A Contribuição do Mingau

Sinto muitas saudades dos natais da minha infância. Os italianos dão especial importância a essa época e, em especial, a história do nascimento do Menino Jesus. Por isso, era certo que logo no início do mês de dezembro um canto da sala seria reservado para montar o presépio.
A estrutura era sempre a mesma. Primeiro, se providenciava uma grande caixa de areia para simular o deserto e nela se colocava o pinheirinho de Natal que, ao contrário de hoje, era de verdade. Lembro das aventuras pelo meio das colonias bentansas para obter os tais pinheirinhos. Até hoje não sei se eram ações totalmente legais ou não, mas eram tratadas com o máximo sigilo e meu tio ficava furioso quando fazíamos algazarra demais nos bancos de trás da Charmosa.
Hein, o quê? Ah, sim, Charmosa era a lendária Kombi do meu tio, sempre utilizada para a importante missão de transporte natalino.
Então, ao pé da árvore, já totalmente enfeitada, montávamos o presépio. Tinha os reis magos, o camelo, o jumento, as ovelhas, José e Maria, todos contemplando a manjedoura onde ficava a estátua de uma criança dormindo.
O tempo passou e a tradição se perdeu. Quer dizer, apenas um ramo de minha família a manteve e, assim, lá em Esteio, casa da Ange e do Dudu, a família combinou de  se reunir para comemorar o Natal e o Ano Novo. Resolveram que um Natal não estaria completo sem um presépio e, assim, uma árvore de plástico e uma caixa de areia foram providenciadas.
Bruninho, o filho dos donos da casa, resolveu dar sua contribuição para a história do presépio e acrescentou, ao lado do camelo e do jumento, o seu Tiranossauro Rex, que também ficou contemplando o nascimento do Nosso Salvador. Bruninho corrigiu assim uma injustiça histórica, afinal todo mundo sabe só não tinha dinossauro presente no Ano Domini porque não houve espaço para eles na Arca de Noé.
Sensibilizado pela história da fuga de Maria, levando o Menino Jesus pelo deserto na garupa de um jumento, Bruninho chegou ao máximo da generosidade, colocando o Relâmpago Mcqueen, seu carrinho vermelho e falante, que ele tanto adora, a disposição do casal em fuga. Era só colocar o Menino Jesus no banco traseiro e disparar em alta velocidade pelo deserto. Pô, como é que o Criador não pensou numa coisa dessas antes?
Brincadeiras à parte, os atos de Bruninho revelam um excelente caráter, além da criatividade e inteligência típicas da família. ;-)
Contudo, o melhor ainda estava por vir. Ana, Danilo, o pequeno Gabriel e o gato Mingau se deslocaram de Florianópolis até Esteio para encontrar a família e celebrar com eles o Natal. É uma viagem dura. Não é qualquer um que encara seis horas de estrada em pleno feriadão. Eles chegaram no meio da tarde da véspera de Natal, todos meio tortos, se espreguiçando para reativar a circulação.
Vejam como tudo na vida é uma questão de ponto-de-vista. Para nós, aquele presépio significava a união da família, a boa tradição mantida e o respeito a Deus. Já  o Mingau, liberto após seis horas de estrada, olhou para o presépio e miou: "Oba! Uma Caixa de Areia!".
E foi assim que o Menino Jesus veio ao mundo em 2008, ao lado de dinossauros, carros falantes e de um monte de areia parecido com o Everest.

5月19日

E joga a bunda pro alto…

E joga a bunda pro alto,
e joga a bunda pro alto,
e coloca a mão no chão.
E joga a bunda pro alto,
e joga a bunda pro alto...

Esses versos infernais andam pela minha cabeça nas últimas semanas, mais precisamente desde que voltei a frequentar a academia de ginástica. Acontece que, para desespero meu e também de boa parte dos colegas malhadores, não existe divisão entre a sala de ginástica e o local aonde estão os aparelhos de musculação. Por volta das sete horas, quando estamos trabalhando os músculos, começa a aula de Funk Aeróbico.

Sim, isso mesmo! Existe algo chamado Funk Aeróbico! Não me digam que vocês não reconheceram de imediato pela letra da música?

A aula ocorre três vezes por semana e cada sessão dura uma hora. Temos que ficar escutando pérolas da canção popular brasileira, tais como:

"Blá, blá, blá...
Chupa que é de uva, chupa que é de uva;
Por que é que você não tenta?
Chupa que é de menta, chupa que é de menta..."

O nível é dessa daí para baixo... No entanto, o pior de tudo  é que a aula é um sucesso. Pelo visto, os exercícios funkeiros dão um excelente resultado e a região da academia onde ocorre a aula dançante logo se enche com pelo menos vinte garotas e um professor. Os exercícios acompanham a letra, então "joga a bunda pro alto e coloca a mão no chão" corresponde a um exercício interessante para fortalecer os glúteos e as garotas fazem exatamente o que a letra manda.

Imaginem a cena. "Joga a bunda pro alto, joga a bunda pro alto...", e vinte garotas bem torneadas pelos exercícios, todas com seus trajes de malha colados ao corpo, encostam as mãos no chão e jogam seus respectivos traseiros para as alturas. E quem está lá no alto? Quem mais poderia ser a criatura que foi colocada para correr que nem um hamster no elíptico? Sim, o elíptico, aquele enorme aparelho que fica justamente há um metro da região das aulas.

O hamster sou eu, claro...

Quais eram as chances de uma coisa dessas acontecer comigo quando eu era solteiro? Zero! Nenhuma! Murphy é implacável. A academia que eu frequentava em Bento Gonçalves tinha seus aparelhos elípticos bem defronte a ala de fisioterapia geriátrica, que era o lugar onde simpáticos velhinhos e velhinhas desenferrujavam os músculos com o auxílio dos treinadores.

Hoje em dia, enfrento uma situação complicada. O que fazer? Ficar acompanhando a aula descaradamente me parece extremamente errado, a aliança na minha mão esquerda começa a ferver e eu sinto medo de virar uma estátua de sal ou algo assim. No entanto, e se eu desviar o olhar e algum dos fortões perceber que eu não estou olhando a aula? Nesse caso, ficarei com a maior fama de veado! O que fazer? O que fazer?

Decidi que o mais certo era aumentar o nível de esforço no elíptico, colocar no máximo a intensidade do exercício e deixar que o suor e minha cara concentrada, de olhos fechados, demonstrassem que eu estava lá interessado em perder peso. Fiz isso. Coloquei o dial no máximo, mandei ver nas pedaladas e ignorei o funk e as bundas arremessadas em minha direção.

Quebrei o elíptico.

Eu aguentei o esforço no nível alto, mas o aparelho não. Felizmente, ninguém notou o estrondo do pedal despencando no chão, junto com a barra de ferro de sustentação e tudo o mais. Também, quem notaria alguma coisa com aquele som infernal fazendo o cérebro derreter?

Dei por encerrado meus exercícios do dia e saí da academia, discretamente e de modo acelerado.

Preciso arranjar um MP3...


5月6日

O pão de arroz ou A formação de um novo eixo gravitacional no planeta

Lá estávamos nós, praticando nosso esporte predileto, a caminhada pelo supermercado. O único ponto de divergência em nossa prática esportiva é que eu gostaria que ela fosse uma corrida de cem metros, já minha com sorte prefere que sejam dez mil metros com obstáculos. No entanto, ambos concordamos que certos produtos são feitos justamente para nos atrair como moscas para uma teia, ou seja, são simplesmente irresistíveis para gente muito curiosa.

Nessa última visita ao BIG, por exemplo, nos deparamos com a Farinha de Arroz Urbano. A embalagem dizia "ideal para empanar", mas que empanar, que nada! Nós temos uma máquina panificadora, então logo surgiu aquela lâmpada brilhando no alto de nossas cabeças: "vamos levar essa farinha e inventar o pão de arroz!".

Alguns dos melhores inventos da humanidade aconteceram por acaso. O camarada que inventou o microondas, por exemplo, só percebeu o que estava inventando quando o chocolate que tinha no bolso derreteu. Os portugueses inventaram o pára-brisa sem perceber que o ideal seria colocá-lo do lado de fora do carro e o inventor da borracha sintética só a descobriu a fórmula porque resolveu esconder sua experiência no forno para não levar uma bronca da esposa.

Então, assim por acaso, tentando inventar o pão de arroz, descobrimos a mais mortífera arma jamais criada: o pão-de-pedra. Sério! Se eu largar o nosso pão de arroz no chão, ele afundará até o centro da terra. Chuck Norris quebrou o pé tentando dar um roundhouse kick no nosso invento e esqueçam o adamantium do Wolverine, pois nem suas garras seriam capazes de fazer um risco sequer no nosso pão.

Infelizmente, não nos concederam a patente por essa descoberta única, mas já avisaram que o exército virá em breve para recolher esse perigoso armamento e guardá-lo em algum setor de segurança máxima.

4月1日

Contrabanquistas no elevador

Lá estava eu, entrando no elevador de uma das galerias centrais aqui de Florianópolis, quando de repente entraram comigo dois sujeitos engravatados. Antigamente, meu primeiro palpite sherlockholmiano seria: "Mórmons!". Contudo, sabe-se que, hoje em dia, você chuta uma pedra qualquer e logo saem de baixo dela vários desses sujeitos engomadinhos, todos com carteirinha da OAB na mão.

O primeiro advogado disse para o colega:

- Olha só o livro que eu comprei!

O colega e eu, metendo o nariz no meio, olhamos imediatamente para o livro. O nome do dito cujo era Contra-Banco e a felicidade daqueles dois no elevador me comoveu.

"Blá, blá, blá, o autor é um gênio! Blá, blá, Blá, tudo sobre processo bancário...".

Gente, antes que alguém se entusiasme e queira virar um contrabanquista, deixa eu explicar uma coisa: sabem aquelas Bíblias de capa-dura das Edições Paulinas? Se juntar quatro dessas Bíblias ainda não chega na espessura do livro que o advogado tinha nas mãos.

Minha amiga Fran ainda me pergunta quando eu vou fazer Direito! Ora, señorita, eu já faço academia, portanto não preciso carregar um livro de quinze quilos por aí afora. Imagine, poderiam até me prender por andar armado! De todo o modo, fica registrada a minha admiração: apenas um advogado para se sentir no paraíso tendo pela frente quatro mil páginas de leitura chata. Sinceramente, eu teria uma congestão cerebral antes da metade.

3月17日

O legítimo Pescador de Ilusões

Desde que cheguei aqui na Ilha da Magia, tenho tentado pescar alguns peixes para encher o frigidaire. Após inúmeros insucessos, que incluíram fatos como só pescar um baiacu duas vezes, rolar morro abaixo pelos espinheiros, perder metade da vara de pesca no meio do mato e quase me afogar, resolvi dar um basta na questão e ir tentar a sorte na pacífica praia de Daniela.

Nessa altura do campeonato, minha vara circuncisada de pouco valia, pois até o molinete quebrou na última aventura. Então, tomei uma atitude, ou melhor, tomei uma Bohemia e usei a garrafa para enrolar a linha de pesca. Pescador que é pescador tem esse lado McGyver de ser...

Levei meus apetrechos para o Pontal de Daniela e então percebi que eu esquecera algo fundamental: as iscas.

No desespero, tentei usar massinha de pescar lambari, pois quem sabe um lambari de água salgada (uma nova espécie) resolvesse surgir em Daniela naquele exato momento. Mas, que nada! A evolução das espécies não atende nossos desejos e nem adiantou pendurar nos anzóis os pedaços de maçã que a Lisa me ofereceu. Pelo visto, os peixes mantêm uma dieta alimentar nada saudável.

Novamente, os papa-terras me escaparam! No entanto, eu sinto que eles estão se sentindo cercados pela minha persistência! Quando o momento certo chegar, não os perdoarei!

Por enquanto, só sei que o Falcão do Rappa é um grande mentiroso. Aqui, na Ilha da Magia, não tem para ninguém: eu sou o único e legítimo Pescador de Ilusões!

2月20日

O Baú de Davi Jones – O Relato de um sobrevivente

Barcos de papel - Guilherme de Almeida
Quando a chuva cessava e um vento fino
Franzia a tarde tímida e lavada
Eu saía a brincar, pela calçada
Nos meus tempos felizes de menino
Fazia, de papel, toda uma armada
E, estendendo o meu braço pequenino
Eu soltava os barquinhos, sem destino
Ao longo das sarjetas, na enxurrada
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles
Que não são barcos de ouro os meus ideais
São feitos de papel, são como aqueles
Perfeitamente, exatamente iguais
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles
Foram-se embora e não voltaram mais

 

Minha anunciada pescaria (vide post antigo aqui neste blog) entre a praia do Campeche e a da Joaquina quase acabou privando o mundo da minha genialidade.

Eu escolhi o ponto perfeito para jogar o anzol, lá onde a profundidade parecia maior naquela esquisita praia de tombo. Como eu já disse, é um tipo de praia diferente, onde você nem dá três passos dentro da água e já cai num buraco, conhecido como primeiro canal.

Resolvemos, eu e Lisa, tomar um banho antes da pesca, e entramos no buraco, seguros de que logo em seguida havia um banco de areia. Não havia!

A água começou a bater no meu peito quando notei que Lisa estava se afastando muito para dentro do mar. Reclamei e chamei ela de volta:

- Não vai tão para dentro assim! Volta aqui!

A resposta dela não poderia ter me assustado mais:

- Mas eu não estou indo de propósito!

Ela estava sendo levada pela correnteza, conhecida como repuxo. Nesse instante, eu tomei a decisão que fez de mim um herói ou um tolo, como queiram, porque acho que não existe diferença entre os dois. Eu nadei para dentro, ultrapassei a Lisa e comecei a tentar, de modo desesperado, empurrar ela para fora da água.

Não logrei êxito! Não conseguíamos sair e a água estava agitada e já não dava pé nem para mim. Começamos a gritar por socorro. Na areia da praia, apenas um casal de bocós nos olhava com ar parvo, sem saber o que fazer.

Eu comecei a engolir água porque ao agitar demais os braços, eu não conseguia me manter com a cabeça fora da água. O mesmo ocorria com Lisa.

Então, o mar fez sua escolha. A distância, naquele momento, entre eu e Lisa, era de não mais do que dois metros. Lembrem-se, eu havia ultrapassado ela e tentado empurrá-la para fora. Ela começou, lentamente, a conseguir se aproximar da areia da praia e eu… Eu fui levado embora.

Lisa conta que, assim que chegou na areia, só conseguiu se virar para o mar e me observar. As ondas eram altas, a cada onda, eu desaparecia por alguns instantes e depois reaparecia, cada vez mais longe da costa.

Eu, lá dentro daquele turbilhão, quando comecei a ser arrastado, tive que esquecer da Lisa, tive que esquecer de tudo. A última coisa que pensei foi que os salva-vidas haviam nos visto e estavam a caminho, mas eu não podia mais olhar para a praia, não podia mais procurar pela Lisa. Naquele momento, tudo o que eu podia fazer era me concentrar em me acalmar e observar atentamente a próxima onda que vinha. Eu tinha que boiar, eu tinha que sobreviver.

Respirar fundo, esperar o mar passar por cima de mim, voltar à tona, ver se não vinha mais nenhuma onda, soltar o ar e tragá-lo novamente… Tudo o que eu podia fazer era isso.

E foi assim que comecei a me acalmar. Passados alguns momentos, chegou até onde eu estava um surfista que, passando pela areia da praia, viu os acenos e se atirou no mar sem hesitar. Quando ele me alcançou, o diálogo foi hilário:

- Opa, meu! Precisa de ajuda?

E eu, quase sem folego:

- Pois é… Eu tentei tirar minha esposa da água… Mas não consegui… Será que, por favor (POR FAVOR!), eu posso me apoiar na sua ´prancha para sair daqui?

- Claro, claro!

E eu me apoie na prancha e saímos daquelas águas revoltas. A cavalaria, digo, os salva-vidas, chegaram em seguida, mas eu estava tão afoito para saber se a Lisa estava bem que eles sequer me examinaram. Todos corremos para onde Lisa estava, ainda deitada, exausta, e o salva-vidas a examinou. Tudo bem com ela.

O surfista, herói do dia, timidamente se afastou e eu, bocó que sou, sequer perguntei seu nome, sequer agradeci direito!

O mar me chamou para uma dança macabra e eu quase vi o baú de Davi Jones. Acho que farei aulas de surf no mês que vem…

4月7日

O encaracolado cabelo do deus grego

No início, eu fiquei arrasado, me achando o maior dos lixos (maior mesmo! Preciso diminuir meu peso).
Tudo porque cortei minha vasta cabeleira, que eu vinha cultivando há mais de um ano! Num dia, eu estava quase igual ao Slash do Guns’N’Roses, no outro, lá estava eu de cabelo curto.
Fiquei mal, nem podia me olhar no espelho.
Então, escovei os dentes, tomando o cuidado de não me olhar no espelho, e fui trabalhar. Chegando à empresa onde trabalho, surpresa.
Minhas amigas logo notaram a mudança: “Olhaaaaaa! Ele cortou o cabelo!”
E eu, pensando: “Glupppppp! Elas notaram! Eu devia ter vindo de toca!”
Mas então eu ouvi um: “Ficou tão lindo!” Opa! O ego leonino começou a erguer-se das cinzas...
“É mesmo! Ele ficou tão bem!” E assim foi o dia todo! Até a poderosa Renatinha, objeto de desejo de 99% dos tarados daquela empresa e conhecida como a garota com o coração mais duro e empedernido da cidade, comentou: “Ficou muito bom.”
Aí, eu já estufei o peito! Mas o melhor estava por vir. Eis que pego meu material e sigo para a academia. Apareço tão pouco por lá que tenho a impressão que nenhuma instrutora sabe que eu existo! Ledo engano! (vocês já perceberam como eu gosto de usar a expressão “ledo engano”? Um dia preciso descobrir o que significa “ledo”) Todos os instrutores (para meu desgosto, até os masculinos) comentaram minha mudança de visual, aprovando a mesma!
 
Mas enfim! Todas essas coisas boas só foram possíveis por um único motivo: eu cortei meu cabelo! E eu só cortei meu cabelo porque eu quis fazer uma surpresa para agradar a minha namorada, que não gostava do meu visual cabeludo! Viram? Uma boa ação é sempre recompensada e estou feliz da vida por ter feito a coisa certa. E, quando minha namorada ficar sabendo que eu fiquei muito mais elegante por causa dela, é bem provável que eu tenha alguns problemas para explicar minha situação. Talvez eu tenha que apelar para uma explicação clássica: “ce n'est pas ma faute”.
6月11日

O Computador que confundiu C com G

O Sr. TS era um paciente relativamente calmo. Nem se percebia que ele estava lá, ocupando a posição mais importante da clínica. Desde a sua última formatação, quando recebeu o nome de Server2005, ele ficou sempre de prontidão, clamo e dócil, servindo para mais de vinte usuários ao mesmo tempo, sem jamais travar ou demonstrar qualquer outro tipo de comportamento psicótico.

 

No entanto, algumas semanas atrás, o sr. TS começou a demonstrar sintomas de que sua saúde já não ia lá tão bem. Começou a apresentar uma síndrome touretica que obrigava os usuários a digitarem suas senhas ao menos três vezes antes de poder logar nele. Tentamos fingir que nada estava ocorrendo, crentes de que um pouco de ar fresco, desfragmentação e scandisk poderiam resolver o problema. Ledo engano!

 

Logo, o paciente começou a apresentar uma amnésia progressiva. Ora esquecia que um usuário podia acessa-lo, ora esquecia as permissões de todos os arquivos. Por fim, acabou esquecendo até de como se fazia para se comunicar com o mundo através da linguagem operacional Windows 2003.

 

Naquela altura, não havia mais jeito. Reunimos uma equipe médica e partimos para o tratamento de choque.

 

Tratamento de choque, neste caso, significava lobotomia formatatória. No entanto, o sr. TS tinha dentro de si, armazenado nos intrincados meandros de sua mente (80GB, marca Samsung), todos os arquivos de mais de 20 usuários que trabalhavam com ele diariamente. Era uma cirurgia de alto risco. A mente esquizofrênica do sr. TS estava dividida em várias partições e, numa delas, denominada G:, armazenamos cópias de todos os dados dos usuários, num procedimento conhecido na área médica como “backup de dados”.

 

Começamos a cirurgia. Era necessário apagar todos os dados da unidade C:, eliminando assim todas as psicoses do paciente, deixando sua mente limpa e pronta para receber logo a seguir os dados da linguagem que permitiria ao sr. TS voltar a ser útil para a sociedade. Essa linguagem é conhecida na área médica como sistema operacional Windows Server 2003.

 

Durante a lobotomia formatatória, mantívemos um breve contato com o paciente e foi assim que ele nos indicou “aqui é minha unidade C:”. Agradecemos pela informação e formatamos a unidade psicótica.

 

O passo seguinte exigia o reinício de todas as funções vitais do sr. TS, a fim de iniciar a sua readaptação ao mundo moderno. Foi aí que notamos algo estranho. O sr. TS continuava apresentando as mesmas anomalias de antes da formatação, o que era algo surpreendente, pois ninguém poderia supor que, após eliminarmos todos os dados da unidade C:, o sr. TS ainda pudesse se lembrar da linguagem Windows 2003,  como se nada houvesse ocorrido. Suando frio, a equipe médica se entreolhou e uma pergunta surgiu no ar, meio que engolida em seco: Se a unidade C: ainda está aqui, então qual foi a parte da mente do sr. TS que nós excluímos?

 

Ocorre que em sua psicose esquizofrênica, o sr. TS acabou confundindo a unidade C: com a G:, fato inédito na história da medicina moderna. E foi assim que o lugar seguro onde armazenamos os dados de todos os usuários acabou indo para o espaço. Se empirulitou! Kaputz!

 

Epílogo:

·         Os dois cirurgiões já estavam de malas prontas para o Timbuctu quando o residente Josué os alcançou. Ocorre que o residente teve a boa idéia de gravar os dados dos usuários em um DVD...

·         A cirurgia prosseguiu e o sr. TS passa bem, atendendo agora pela alcunha de Server2007, o que já deixa claro para ele o tempo que esperamos que ele continue livre de psicoses!

·         Um porrete de espinhos foi pendurado na parede ao lado do sr. TS, para que ele se sinta estimulado a jamais confundir novamente C com G.

5月28日

Crianças...

Almoço de domingo. Que beleza! A família reunida ao redor da mesa  e, como não podia deixar de ser, uma criança correndo ao redor de todos, sem parar quieta. Após muito esforço, Cristina, a mãe do Guilherme (que tem 3 anos) consegue convence-lo a ficar sentado, fingindo estar quietinho, olhando para o seu prato ainda vazio.

 

- Guilherme, querido. O que você vai querer comer?

- Nada!

 

Realmente... Temos ao menos que valorizar a honestidade da resposta, não é mesmo?

Muitos argumentos foram usados para tentar remover Guilherme de sua greve de fome:

- Mas você precisa comer! Faz bem, você fica forte!

Eu enfatizei:

- Tem que comer tudinho!

 

Não adiantou. No fim, ele ficou tomando uma mamadeira com Pepsi-Cola, brincando feliz da vida para seu prato vazio.

 

E o almoço seguiu. Após algum tempo, eu me declarei satisfeito. Minha tia Hilda, italiana dos pés a cabeça, se assustou por eu ter comigo “apenas” um prato cheio de massa:

- Mas tu não comeu NADA!!!! Come mais um pouco!

- Não tia! Estou de dieta (mentira, ou melhor, meia-verdade).

 

Foi então que o Guilherme largou sua mamadeira de Pepsi e falou:

- Come “Gilinei”... Come que tu fica forte!

E erguendo seu dedo minúsculo em minha direção, ele concluiu:

- Tem que comer tudinho, “Gilinei”!

 

Cai o pano (ou melhor, o pano desaba sobre minha cabeça)

 

Epílogo: quinze minutos após o fim do almoço:

- Manhê... Tem salgadinho?

4月23日

Quando a vida imita uma sitcom

Acordo cedo (pelo menos, pensei que fosse cedo). Estou no banheiro, molhando o cabelo para ver se consigo penteá-lo antes da chegada da minha namorada, que está vindo de longe para passar a Páscoa comigo.

Nisso, ela chega! E eu, sem camisa e de cabelo molhado, afivelo no rosto a minha melhor expressão de felicidade e me preparo para receber um beijo...

 

PAF! SOK! CATAPOW!

 

Como podem perceber, as onomatopéias acima não foram de beijos. Ma belle me encheu de tapas! Tudo porque eu havia dito que faria calor na minha cidade, mas na verdade, havia uma névoa congelante no ar. Segundo minha namorada (que havia trazido apenas roupas leves por causa da minha informação errada), ela viajou de Caxias até Bento dentro de uma nuvem. E era verdade, de manhã cedo, o frio faz a névoa ficar baixa...

 

Mas eu não me fiz de rogado. Pensei em usar psicologia e virar o jogo a meu favor. Coloquei uma camisa de manga curta e fingi que estava calor “pelos padrões de um gaúcho”.

 

- Ora! Está quente. Veja, vou até trabalhar de manga curta!

 

Nisso, entra na casa a minha tia, braços cruzados, tremendo e repetindo sem parar:

 

- Que frio! Que frio!

 

Cai o pano.

 


1月22日

Jangada Amarela

Jangada Amarela

 

um conto de horror (ou um horror de conto) de Lorde Samael Darcangelo

dedicado a Lisa, Sabrina, Luciana (todas elas), Raquel, Daniel, André, Manoela e a todos os demais fãs...

 

 

 

"The fool on the hill sees the sun going down

And the eyes in his head sees the world spinning round..."

  

 

  

  

 "Um mistério digno dos livros de Agatha Christie".

  

Era desta forma que os jornais estavam tratando o intrigante caso do Homem do Piano. Tudo havia começado há algumas semanas, em uma estrada praiana da ilha de Sheppey, no condado de Kent (sul da Inglaterra). Já era fim de tarde quando George, o guitarrista aposentado, avistou um homem seminu saindo do mar. Pensando tratar-se de um naufrago, o ex-guitarrista se apressou em socorrer o sujeito. No hospital da cidade, os médicos que o examinaram diagnosticaram estafa devido a um profundo esforço físico. O naufrago tinha uma aparência mista entre o latino e o inglês clássicos. O tom de sua pele indicava que ele havia passado bastante tempo sob efeito do sol.

  

O mais estranho, contudo, era que o homem não falava uma palavra sequer. Apesar de reagir a estímulos e mostrar que tinha reflexos e compreendia o que estava ocorrendo a sua volta, nem mesmo a famosa equipe de psiquiatras liderada pela Dra. Luthien Bertiniel fora capaz de arrancar uma palavra sequer da boca do pobre coitado. Claro que a equipe da Dra. Bertiniel não se esqueceu de deixar o taxímetro ligado enquanto tentava fazer o homem falar. Deste modo, os psiquiatras é que não saíram no prejuízo ao final das frustradas tentativas.

  

O caso rapidamente ganhou os jornais do país. Que estranho homem era aquele, que surgira quase nu em uma praia remota do país? Por que não falava? Que estranhos horrores haviam ocorrido com o mesmo? E os farrapos de roupa que ele vestia? Por que as etiquetas de tais peças de roupas haviam sido cortadas? Nada fazia sentido.

 

Por uma feliz casualidade do destino, Paul, o famoso empresário do mundo musical, responsável pela descoberta das Spice Girls, estava justamente de férias naquela região e, como todo mundo, correu para o hospital a fim de ganhar uma publicidade gratuita ao lado do homem desmemoriado. O encontro foi registrado por jornalistas do Daily Mirror e, num momento de inspiração, Paul se ofereceu para tocar uma canção ao piano para ver se amenizava o semblante perturbado do estranho paciente. Foi uma sorte. Bastou avistar o piano na sala de música do hospital, que o naufrago se atirou a ele e começou a tocar uma melodia que logo foi reconhecida pelos presentes: Fool on the hill.

 

No dia seguinte, estava estampado em todos os jornais: "Homem do Piano se comunica somente através da música".

 

As mais fantasiosas teorias surgiram em todos os cantos. A que ganhou mais força foi logicamente a que fazia mais sentido para os telespectadores (em sua maioria fãs de Big Brother Inglaterra). A teoria afirmava que o homem era um inglês que havia sido abduzido por alienígenas há mais de 150 anos. Viajando na nave espacial, ele só conseguia se comunicar com os seres extraterrestres através da música de um piano. Agora, quando os ET's o haviam devolvido à Terra, o homem do piano só conseguia se comunicar através da música. Tal teoria foi corroborada pela descoberta de que um piano de cauda havia desaparecido no condado de Blackburn, Lancashire, há exatamente 150 anos. Foi feita até uma missa em desagravo à memória do pároco local daquela época, que havia sido acusado de sumir com o tal piano em troca de dinheiro para as reformas da sua igreja.

  

O empresário Paul não perdeu tempo e adquiriu todos os direitos de reprodução e distribuição das músicas produzidas pelo desmemoriado. Enquanto isso, a teoria da abdução por alienígenas sofreu um grande abalo. O mesmo George que havia encontrado o homem resolveu investigar o caso mais profundamente e acabou localizando na mesma praia, a apenas algumas centenas de metros do local, destroços de uma jangada amarela.

  

Foi então que uma carta anônima chegou ao Daily Mirror, esclarecendo todo o caso. A carta estava assinada pelo Sr. U. N. Owen, que afirmava ser um ex-agente secreto cubano e que preferia permanecer incógnito devido à dramática revelação que iria fazer.

  

Segundo o Sr. Owen, havia mais de uma década que o ditador cubano Fidel Castro ordenara a construção de uma área 51, altamente sigilosa, em sua ilha. Tal área secreta se destinava à criação do "super socialista", o homem perfeito e fiel ao regime. Durante todo esse tempo, crianças haviam sido seqüestradas de todos os cantos do mundo e levadas para tal área secreta, onde sofriam todo tipo de experiência. O tal pianista desmemoriado fora seqüestrado de Portugal quando criança e desde então tinha sido forçado a se comunicar com o mundo somente através do piano. A esperança de Castro era produzir um ser geneticamente capaz de igualar as composições de Mozart e de Beethoven, só que em ritmo de Salsa.

  

Em desespero, o homem do piano havia conseguido arrancar estacas da cerca amarela que cercava toda a área 51 cubana e, com elas, fez uma jangada para fugir em direção a Miami. Infelizmente, ele era um músico português e não um marinheiro e, por causa disso, errou o caminho, vindo parar na Ilha de Sheppey.

  

O caso provocou então uma comoção nacional! Apesar de os mais céticos acharem a história um pouco inverossímil, a grande maioria dos ingleses, seguidos pelos europeus, seguidos pelo resto do mundo, logo estava idolatrando o homem do piano e sua luta dramática pela liberdade. Fotos de satélite até mostravam que em algum ponto da ilha cubana havia realmente algo amarelo, que poderia ser a tal cerca. No entanto, um pesquisador desocupado notou que um dos pedaços de madeira que fora encontrado na praia inglesa, tinha um carimbo onde se podia ler: "Made In Liverpoo...". Alguns mandaram o desocupado arranjar o que fazer e outros botaram ainda mais lenha na fogueira: "Castro anda roubando nossa madeira!". Já havia até proposta de guerra contra Cuba.

  

Alheios a esse bafafá todo, Paul e George não perderam tempo, marcando logo uma série de shows com o pianista cubano, que sairia em turnê internacional, apresentando composições de sua própria autoria para se comunicar com o mundo. Alguns compositores de música clássica criticaram o evento, alegando que as composições não tinham nada de Mozart ou de Beethoven. Na verdade, eram até bem ruinzinhas. No entanto, a grande maioria logo censurou tais criticas, afirmando que partiam de despeitados, inconformados com o sucesso de um pobre latino de aparência inglesa.

  

Epílogo:

  

Na madrugada após o primeiro grande concerto em Picadilly Circus, Paul e George se preparavam para abrir um champagne em uma luxuosa sala de um hotel cinco estrelas. O show fora um tremendo sucesso e as vendas dos produtos do Homem do Piano estavam a mil. Naquele momento, alguém bateu na porta do quarto. Era Richard, um amigo de longa data, que estava chegando de longa viagem. Após os abraços e cumprimentos efusivos, Richard quis logo saber:

  

- Que história de Homem do Piano é essa? Acharam uma Mina de Ouro, hein?

  

Paul não conteve o riso:

 

- Alguns acham ouro, meu amigo, outros são sábios o suficiente para pintar estacas de amarelo.

 

Desconfiado, Richard, que não era muito famoso por suas habilidades mentais, perguntou:

 

- Tá! Mas o que aconteceu por aqui enquanto eu estive fora?

 

Nesse momento, saiu do banheiro e juntou-se aos três amigos ele, o Homem do Piano. De banho tomado e tendo tirado através de produtos químicos o tom de bronzeado artificial que um óleo produzia em sua pele, ele parecia mais inglês do que nunca. Richard exclamou:

  

- John!

  

E o Homem do Piano respondeu:

  

- Eu mesmo!

  

O rosto de Richard era só pontos de interrogação. Os outros três se apiedaram e Paul iniciou as explicações:

  

- Após o sucesso artificial que consegui com as Spice Girls, eu conclui que o público aceita qualquer coisa, desde que você ofereça essa coisa envolvida em uma comovente lorota qualquer. Lembra do caso das Spice, não? Cinco modelos que juntei num apartamento e todo mundo acreditou que aquelas beldades haviam se conhecido por acaso e que eram pobres e que a música havia mudado suas vidas, blá, blá, blá... Enfim, eles aceitam qualquer absurdo. Lembra das histórias que inventamos sobre a capa daquele disco antigo?

  

"Pois então. Desta vez eu precisava lançar um tipo de som novo para ganhar mais alguns milhões. A idéia foi usar os conhecimentos ao piano do nosso John aqui. Só que, apesar de ser um esforçado estudante de piano, ele jamais chegará a ser um virtuose. Nesse caso, o que fazer? Bom, com a ajuda do George, armamos a história do naufrago pianista."

 

George interrompeu:

 

- Foi simples. Bastou fazer os contatos corretos para assegurar que a imprensa estivesse presente. John se mostrou um excelente ator e a única parte complicada foi pintar aqueles pedaços de pau de amarelo para lançar a história sobre o refugiado cubano! Caramba! Tanto cuidado e mesmo assim deixei passar aquele carimbo...

  

John sentou no sofá e desatou a rir:

  

- Cara! Ainda não entra na minha cabeça como é que acreditaram nessa história!

  

Richard estava atônito. Lentamente, a explicação entrava em sua mente. Ele disse:

  

- Seus sujos! Nem me convidaram para participar disso! E tiveram muita sorte, ainda por cima! Conseguiram vestir o John com roupas que não o denunciaram!

  

Paul se sentiu ofendido:

  

- Sorte uma ova! Cortamos todas as etiquetas que pudessem revelar que os trapos que preparamos para ele eram ingleses! Sorte uma ova, foi "talento"!

  

- HAHAHAHAHAHAHA!

 

Nesse ponto, todos ergueram suas taças e brindaram felizes. Afinal de contas, era inegável que aquele quarteto tinha um longo histórico de "talento" nesse tipo de negócio.

 

 

*** FIM ***

 


10月9日

Sex Simbol

Toda segunda-feira de manhã realizamos uma reunião do setor de Desenvolvimento da empresa onde eu trabalho. É o momento em que os abençoados webdesigners se encontram com os esquisitos programadores e juntos definimos qual será o roteiro de trabalho da próxima semana. Bom, isso tudo na teoria porque em informática imprevistos acontecem de uma forma tão abundante que, quando tudo ocorre conforme o planejado, ficamos em pânico! Algo deu errado e a gente ainda não sabe!!!
 
Nessas reuniões de segunda, eu sou o escritor. Fui abençoado com um dom inexistente no ramo da informática, ou seja, sei escrever. Como castigo por essa habilidade maldita, sou o responsável pela ATA da reunião. Fico me sentindo como a Fernanda Montenegro naquele filme "Central do Brasil". :-p
 
Assim, lá estava eu, entediado, anotando um longo discurso de um dos colegas (para proteger inocentes, usarei pseudônimos). Eu já havia anotado tudo o que Reniat tinha a dizer (duas linhas), mas talvez para escapar do ioga, o infeliz continuava explicando aquelas duas linhas, parecia o Lula!
 
Impaciente, comecei a fazer alguns desenhos no papel em que estava anotando aquele blá-blá-blá. Nisso, o Moreno reparou num dos desenhos, uma suástica, e comentou: "virando nazista, hein?"
 
Era uma das minhas deixas preferidas para defender a suástica, um símbolo que remonta a Idade do Bronze e que sempre foi respeitado entre dezenas de povos. Sempre achei um absurdo que, por causa de um bando de malucos homicidas, um símbolo com uma história de 5.000 anos fique maculado desse jeito. Eu já ia falando sobre isso quando, de repente, Çelmar se manifestou.
 
Çelmar, antes de vir parar entre os programadores, estudava para ser padre em um monastério da região. A galera brinca que, desde que saiu do monastério, o homem só está pensando "naquilo". Talvez a galera não esteja tão errada assim, porque Çelmar, o autor das frases mais insólitas do planeta, de repente se manifestou e a sua voz ecoou como um trovão pela sala:
 
"Eu sei! A suástica é um Símbolo Sexual"
 
Todos se calaram. Olhos se esbugalharam, queixos caíram. Um passarinho que acompanhava tudo do lado de fora despencou do fio de luz. A reunião estava interrompida por aquela revelação fantástica. O Moreno foi o primeiro a conseguir falar, e perguntou:
 
"Como assim????"
 
Çelmar explicou:
 
"Um padre me disse! É um símbolo sexual! Vejam! - ele pegou o papel em que eu estava anotando a Ata e mostrou a suástica para todos - Olhem! É um homem e uma mulher fazendo amor!"
 
Eu confesso que não sou nem um pouco inocente, mas nem nas minhas mais loucas fantasias, nem nos mais famigerados sites xXx, nem nos filmes de Rocco e da Sílvia Saint, enfim, em nenhum lugar, eu vi qualquer posição que remotamente lembrasse uma suástica! :D
 
E a reunião acabou. Não houve condições de continuar depois de uma revelação daquelas.
 
Moral da história: Çelmar precisa de uma namorada, com urgência!
 

8月8日

É fogo...

Nunca confie em nada e nem em ninguém!
 
Eu aprendi essa lição muito cedo na vida. Vou contar para vocês como é que foi...
 
Eu estudei em colégio de freiras. O Colégio Sagrado Coração de Jesus. Lá por volta dos meus nove ou dez anos, me tornei um assíduo explorador da biblioteca da escola! Era uma felicidade correr para lá nos recreios e escolher um bom livro para ler em casa. Eu já tinha uma vantagem sobre meus colegas: alcançava as prateleiras mais altas! No entanto, comecei pela prateleira de baixo, lendo a Coleção Vaga-Lume! Histórias de mistérios e aventuras para crianças e adolescentes. Logo a seguir, mais para cima, descobri Monteiro Lobato. Creio que Hércules foi o meu primeiro grande herói, cheguei a decorar todos os trabalhos dele e até fiz uma lista dos 12 trabalhos que eu iria fazer. ;-)
 
As explorações foram ficando cada vez mais interessantes e foi então que eu retirei da biblioteca um livro que ensinava a fazer mágica. Não lembro nem do nome, nem do autor, só sei que não era tão elegante e bom quanto o "Magirama" da Disney. Na verdade, acho que era uma daquelas edições de bolso da Ediouro... Enfim, retirei o livro e tão logo cheguei em casa, já comecei a bancar o Mandrake.
 
Alguns truques eram simples, com cartas e elásticos. Outros eram mais suspeitos. Por exemplo, achei muito difícil que, se eu colocasse uma cenoura recortada em forma de peixe no aquário, meus amigos fossem acreditar que eu estava retirando um peixe dourado do aquário e engolindo ele vivo... E se por acaso eu me atrapalhasse na hora? Ia ser um absurdo engolir um peixe dourado e deixar uma cenoura dentro do aquário. Como explicar isso para os pais mais tarde? Além disso, tinham outros probleminhas, tais como: eu nunca tive um aquário, nem peixes dourados e detestava cenouras.
 
Foi então que cheguei na mágica da caixa de fósforos. As instruções eram claras:
  • Pegue dois palitos.
  • Segure um de cada lado da caixa, mantendo a cabeça de fósforo em contato com a parte da caixa que acende o palito.
  • Oculte as cabeças de fósforo com o seu polegar e com o seu indicador
  • Bata os palitos com força na mesa, gritando então: ABRACADABRA!
Segui tudo, tim-tim por tim-tim e, quando eu bati os palitos na mesa, gritei: ABRACADAB...IIIIIIIIIIIIIIIIAAAAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUUU! AIIII! AIIIII! AIIIIIII!
 
Esse grito estranho e bizarro saiu de minha boca devido ao fato de que os fósforos incendiaram e queimaram meus dois dedos. No dia seguinte, lá estava eu com duas bolhas, uma em cada dedo. Li e reli a mágica até me convencer de que havia feito tudo certo! Não restavam dúvidas, era uma PEGADINHA!!!! Caí no conto do palito e queimei meu próprio dedo! E o livro com a piada de mau gosto estava lá, exposto em plena biblioteca do Colégio Sagrado Coração de Jesus!
 
Depois dessa, aprendi a desconfiar sempre de tudo e de todos! :-)
7月24日

A Impressora Amaldiçoada

Coisas incríveis que só acontecem na área da Informática.
A empresa onde eu trabalho fica na serra do RS. Tínhamos um cliente no litoral. Esse cliente pagava um valor adicional para que prestássemos manutenção também para o seu equipamento de informática (hardware). Certo dia, ele ligou reclamando que a impressora matricial dele imprimia apenas em DOS. Para os mais modernos: uma impressora matricial é um bagulhão enorme que faz um barulho insuportável enquanto imprime ("Tédédédédéééé-Tédédédédéééé-..."). Ela ainda é muito utilizada por empresas que precisam emitir centenas de páginas de relatórios e que não querem gastar uma nota em cartuchos de tinta. Se você tiver a infelicidade de topar com uma... FUJA! Já o DOS... bom, é melhor nem saber... esse sistema operacional saiu de linha em 1995...
Agora que todos estão devidamente ambientados, vamos ao causo. A impressora do cliente não imprimia em Windows. Duas visitas de técnicos ao local, dois fracassos em tentar fazer a maldita imprimir. Na volta da última viagem, trouxeram ela para a serra, para que o gerente do suporte a analisasse. No dia seguinte, o gerente liga a impressora no seu computador, abre um documento qualquer do Windows e... "Tédédédédéééé-Tédédédédéééé-..." - Funcionou!
Todos ficam convencidos que o problema é que os técnicos não souberam configurar a dita cuja no estabelecimento do cliente. Lá vai o gerente, para fazer média (e visitar o litoral, claro), entregar a impressora pessoalmente. Liga ela na máquina do cliente, abre um documento no Windows, manda imprimir e... "..." - Nada! Ele abre uma sessão do arcaico DOS, manda imprimir e... "Tédédédédéééé-Tédédédédéééé-..."!
Vexame total! Formatam a máquina do cliente, tentam reinstalar todos os softwares e nada da impressora fazer as pazes com o Windows. Desesperado, o gerente explica que na "sua máquina" funcionou e que ele se compromete a emprestar o equipamento até que a equipe descubra a solução do mistério.
 
No dia seguinte, chega um técnico ao local, trazendo a máquina do gerente. O próprio gerente pernoitou na cidade litorânea e está acompanhando tudo. O cliente já faz piada da situação, mas o gerente garante que agora não tem erro, a impressora vai imprimir porque ele já a viu fazer isso poucos dias antes. Ligam a máquina do gerente, conectam a impressora, mandam imprimir pelo Windows e... "..." - SILÊNCIO SEPULCRAL!
 
Sem dizer uma palavra, o gerente dá um chega pra lá no técnico, abre o DOS, manda imprimir e... "Tédédédédéééé-Tédédédédéééé-..."!
Levam embora a máquina do gerente e a impressora amaldiçoada. Voltam para a serra, ligam tudo de novo no laboratório técnico, mandam imprimir via Windows e... "Tédédédédéééé-Tédédédédéééé-..."!
 
Foi aí mesmo o desespero tomou conta! Ninguém sabia mais o que fazer! Nisso, passa pelo laboratório técnico um dos chefes do setor de desenvolvimento (traduzindo, um programador). Ele percebe que todos estão abatidos e pede o que está acontecendo. Relatam o caso para ele. O homem, ainda segurando o seu tradicional cafezinho na mão fica parado olhando para a impressora amaldiçoada. De repente, ele sai rapidamente em direção à cozinha.
 
- Foi buscar água-benta. - comenta o gerente, ironizando.
 
O surrealismo toma conta da cena. O programador volta com um Bombril na mão. Esfrega os pinos da impressora fortemente com o pedaço de Bombril e diz que está tudo pronto, que podem devolver para o cliente.
 
Obviamente, ninguém acreditou nele, mas perdido por um, perdido por mil. Mandaram a impressora de volta assim  mesmo, já dispostos a comprar outra para o cliente, caso dessa vez não funcionasse. O cliente recebe a impressora, liga na sua máquina, manda imprimir pelo Windows e escuta o barulho abençoado: "Tédédédédéééé-Tédédédédéééé-...". Caso resolvido!
 
Ninguém no suporte teve coragem de perguntar para o programador qual era a origem do mistério. Coube a mim, o webdesigner, bancar o curioso (naquela altura toda empresa já sabia do ocorrido e... eu sou mesmo muito curioso :-) ). Eu me aproximei do programador e perguntei porque a impressora tinha funcionado. A explicação, como de costume, desfez qualquer crença em uma possível maldição sobre o equipamento. Vejam:
 
Os equipamentos sofrem muito com a maresia. No caso da impressora, os pinos que a ligavam ao computador estavam se oxidando gradativamente até que num belo dia, um pino deixou de passar corretamente os dados, ou seja, enferrujou demais. Tratava-se do pino que somente o Windows utiliza para saber se a impressora está conseguindo imprimir o que ele mandou. E mais! Quando abandonava o ar cheio de salinidade do litoral, esse pino voltava a conseguir a transmissão dos dados. Ou seja, aqui no ar puro da serra, a impressora funcionava. Lá no litoral, ela empacava!
 
O caso faz parte do folclore da empresa. Desde aquele dia, se for do ramo da informática, eu acredito em tudo! Até em placas-mãe de computador que falam!
 
Mas essa é uma outra história...